MESHUGGAH comemoram 40 anos de carreira no Sagres Campo Pequeno

A 22 de outubro de 2027, os MESHUGGAH trazem ao SAGRES Campo Pequeno, em Lisboa, a The Forty-Year Anomaly EU & UK Tour, que percorre a Europa e o Reino Unido e assinala os 40 anos de carreira da banda.

Os PERIPHERY e VILDHJARTA, dois grupos que construíram o seu som a partir da linguagem criada pelo influente coletivo sueco, abrem a noite, completando um cartaz de luxo que percorre três momentos distintos de uma mesma linhagem: a banda que definiu o modelo, um dos grupos que o levaram a um público mais vasto e outro que o empurraram para um registo ainda mais denso e desafiante.

Quando se formaram em Umeå, corria o ano de 1987, nada indicava que os MESHUGGAH viessem a ser nomeados para um Grammy ou sequer a liderar tabelas de vendas. No entanto, essas duas coisas aconteceram durante a última década: em 2018, “Clockworks” valeu-lhes a nomeação para “Melhor Interpretação de Metal”, e “Immutable”, de 2022, chegou ao primeiro lugar da tabela de vendas britânica de rock/metal e da tabela de hard rock da Billboard. Em 2027, o quinteto sueco chega ao 40.º aniversário acompanhado por uma base de seguidores que os venera intensamente logo desde a primeira hora e outra, mais jovem, que os descobriu através das bandas que vieram depois.

O coletivo nasceu da associação entre o vocalista Jens Kidman e o guitarrista Fredrik Thordendal. O primeiro LP, “Contradictions Collapse”, saiu em 1991 e já mostrava uma obsessão por estruturas rítmicas pouco convencionais, ainda com um pé no thrash. Foi com “Destroy Erase Improve”, de 1995, que a sonoridade dos MESHUGGAH se fixou: riffs assentes em ciclos que não coincidem com o compasso da bateria, secção rítmica de precisão quase mecânica e uma agressividade controlada ao milímetro. A poderosa “Future Breed Machine”, incluída nesse disco, transformou-se numa das peças de referência do género.

Seguiram-se álbuns que ampliaram o vocabulário dos músicos sem o trair. “Chaosphere” levou a abordagem polirrítmica ao limite da densidade. “Nothing”, de onde veio a demolidora “Rational Gaze”, trouxe um som mais grave e arrastado. “Catch Thirtythree”, concebido como uma peça contínua, dividiu opiniões e é hoje muitas vezes citado entre os trabalhos mais ousados da banda. “obZen”, que inclui a “Bleed”, devolveu-lhes uma agressividade mais direta. “Koloss” e “The Violent Sleep of Reason” mostraram que a fórmula ainda tinha margem para variações. Foi deste último que saiu o tema “Clockworks”, e o reconhecimento que mereceu é raro para um grupo cuja música nunca procurou ser acessível. Em 2024, “Immutable” confirmou o lugar dos MESHUGGAH na linha da frente da música pesada contemporânea, com uma formação que se mantém estável: Kidman, Thordendal, Haake, o guitarrista Mårten Hagström e o baixista Dick Lövgren.

Essa continuidade é parte do que dá peso ao aniversário, mas o interesse desta digressão não está só no número redondo. Os MESHUGGAH conseguem ser uma das poucas bandas saídas do metal que se afirmam, ao mesmo tempo, como inconfundíveis e determinantes. A sua influência ouve-se no metal progressivo e técnico e em muitos artistas que adotaram as guitarras de 7 e 8 cordas e as figuras rítmicas deslocadas, mas a sua música sempre se manteve à parte dos movimentos que ajudou a criar. Uma digressão comemorativa como esta permite olhar para esse percurso de uma só vez e dá ao público a oportunidade de ver a banda num momento em que essa herança será celebrada como tal.

Aliás, as bandas escolhidas para a primeira parte do concerto mostram a influência dos suecos de forma quase literal. Os PERIPHERY, formados em 2005, no Maryland, e liderados pelo guitarrista Misha Mansoor, são frequentemente apontados como a banda que deu real visibilidade ao djent, termo que nasceu como uma onomatopeia da sonoridade abafada e percussiva das guitarras dos MESHUGGAH e acabou mesmo por designar toda uma tendência. Os também suecos VILDHJARTApertencem à geração seguinte: com “Måsstaden” e “Måsstaden Under Vatten”, de 2014 e 2016, tornaram-se uma referência do thall, vertente mais densa, dissonante e deliberadamente excessiva do género.

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🖋 Redação / press release

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