A primeira edição do Rock & Dão continuou a ganhar forma com a chegada dos Cassete Pirata ao palco. Em Viseu, a banda lisboeta trouxe consigo uma das linguagens mais reconhecíveis do indie pop/rock português contemporâneo, onde as guitarras encontram os sintetizadores e as canções são construídas inteiramente em português.
Formados em 2016 por cinco amigos ligados ao universo do jazz, os Cassete Pirata partiram de uma formação musical pouco convencional para um projeto que rapidamente encontrou uma identidade própria. A experiência acumulada nesse território tornou-se parte importante da sua sonoridade, mas nunca impediu a banda de procurar caminhos mais pop, diretos e imediatos.
Em palco, João Firmino, na voz e guitarra, assumiu a frente de um coletivo completado por Joana Espadinha e Margarida Campelo, nos teclados e segundas vozes, António Quintino, no baixo, e João Pinheiro, na bateria. Juntos, construíram uma atuação onde cada elemento tem espaço para acrescentar novas camadas às canções.
A combinação entre sintetizadores e guitarras foi particularmente importante para criar esse equilíbrio. De um lado, a componente mais melódica e envolvente; do outro, a energia própria do rock. No meio, letras em português que dão às músicas uma proximidade imediata e ajudam a definir a personalidade do grupo.
Essa capacidade de escrever e cantar em português assume uma importância especial num festival que pretende celebrar o rock e as diferentes formas que este pode assumir em território nacional. Os Cassete Pirata mostraram que não é preciso escolher entre acessibilidade e personalidade: é possível construir canções orelhudas sem abdicar de uma identidade artística.
À medida que o concerto avançava, a banda foi ocupando cada vez mais espaço no ambiente do Rock & Dão. O público recebeu aquela mistura de pop, rock e eletrónica como mais uma peça de um cartaz pensado para atravessar diferentes gerações e sensibilidades.
E havia também uma interessante continuidade em relação ao concerto anterior. Se Os Pontos Negros abriram a tarde com duas décadas de história do rock português, os Cassete Pirata representaram uma geração que completou a sua primeira década e que continua a expandir essa história, acrescentando-lhe novas sonoridades e outras formas de olhar para a canção.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


