A madrugada do terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 encontrou em M.I.A. uma artista impossível de encaixar numa única categoria. No palco, a música tornou-se um território sem fronteiras, onde eletrónica, hip-hop, ritmos globais e diferentes referências culturais se cruzaram numa atuação tão energética quanto imprevisível.
Desde os primeiros momentos, M.I.A. tomou conta do espaço com uma presença que não pede licença. As batidas começaram a preencher o recinto e rapidamente o público percebeu que aquela não seria uma atuação para ficar simplesmente a assistir. Era preciso entrar no ritmo.
E entrou.
Entre sons eletrónicos, graves profundos e ritmos influenciados por diferentes geografias, M.I.A. criou uma experiência que parecia estar sempre em transformação.
A sua música nunca foi feita para respeitar fronteiras. Ao longo da carreira, a artista construiu uma linguagem própria a partir do cruzamento de culturas, géneros e referências, tornando a mistura numa das suas principais ferramentas criativas.
Em Coura, essa identidade ganhou uma dimensão particularmente física. O palco tornou-se um espaço de confronto entre som, imagem, movimento e atitude, enquanto o público respondia com uma energia que crescia à medida que a madrugada avançava.
Mas M.I.A. não é apenas ritmo. A sua obra está profundamente ligada a temas como identidade, migração, desigualdade, política e pertença. Mesmo quando a música convida à dança, existe frequentemente uma inquietação por baixo da superfície.
No terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026, M.I.A. transformou a madrugada num espaço onde diferentes mundos puderam coexistir durante alguns momentos.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


