Depois da descarga de energia deixada por Carolina Durante, o terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 encontrou em Strawberry Guy uma mudança de velocidade. O músico britânico entrou em palco para trocar a urgência das guitarras por uma atmosfera mais leve, delicada e sonhadora.
A música de Strawberry Guy parece feita para abrandar o tempo. Entre melodias suaves, teclados luminosos e uma voz que se mantém próxima e discreta, o concerto foi criando um espaço próprio dentro do festival, quase como uma pequena bolha onde tudo acontecia a um ritmo diferente.
O contraste com o concerto anterior foi evidente, mas funcionou precisamente por isso. Depois de um momento em que respirar parecia difícil, Strawberry Guy ofereceu ao público uma oportunidade para simplesmente parar, ouvir e deixar-se envolver pelas canções.
Havia uma dimensão quase cinematográfica na atuação. As melodias pareciam desenhar imagens enquanto os diferentes elementos instrumentais se cruzavam com naturalidade, criando uma sonoridade que tanto podia acompanhar uma viagem como servir de banda sonora para uma tarde perdida no tempo.
Strawberry Guy mostrou que nem todos os momentos fortes de um festival precisam de ser explosivos. Há concertos que conquistam precisamente por fazerem o contrário: baixam a intensidade exterior para permitir que aquilo que está dentro das canções se ouça melhor.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


