Malteza estreia-se em nome próprio no Portugal Fashion 2026 com uma coleção onde a moda joga estratégia

A estreia de Malteza em nome individual no Portugal Fashion Experience 2026 foi muito mais do que a apresentação de uma coleção. Foi a afirmação de uma identidade criativa construída entre a memória, a arte e a vontade de transformar o vestuário num espaço de reflexão. Com ROYALCHESS, a designer Joana Maltez levou à passerelle uma proposta inspirada no universo do xadrez, onde cada peça assumiu um significado para além da sua função.

O preto e o branco marcaram o ritmo da apresentação, evocando o tabuleiro onde cada movimento é pensado ao detalhe. Contudo, a coleção não procurou representar o jogo de forma literal. Antes, utilizou-o como metáfora para falar de escolhas, equilíbrio e da forma como cada decisão influencia o percurso de quem a toma.

Entre os coordenados, algumas peças destacaram-se pelo seu simbolismo. Uma bolsa de grandes dimensões tornou-se a representação do rei, lembrando que a verdadeira força nem sempre está no poder, mas na vulnerabilidade e na necessidade de proteção. Já um casaco de estrutura marcante reinterpretou a torre, integrando tabuleiros magnéticos que transformaram a própria peça num objeto interativo, onde a moda e o jogo coexistem numa mesma linguagem.

A coleção revelou igualmente uma forte preocupação em aproximar o universo conceptual da utilização quotidiana. Camisarias e peças de linhas depuradas surgiram lado a lado com elementos de construção artesanal, como apontamentos em crochet e acessórios de maior dimensão, criando um diálogo entre funcionalidade e expressão artística. O resultado foi uma proposta que desafia a ideia de que o design autoral deve permanecer apenas na passerelle.

Essa visão ficou ainda mais evidente nas palavras da própria Joana Maltez. À Glam Magazine, a designer revelou que a marca nasceu de um momento profundamente pessoal, após a perda do pai, cujo apelido inspirou o nome Malteza. A alteração da grafia não foi um acaso: o acrescento da letra “A” traduz uma aspiração ao sublime, ao imaginário das figuras reais e mitológicas que continuam a influenciar o seu processo criativo. É precisamente dessa procura por algo maior que nasce a identidade da marca.

A criadora confessou também a emoção de apresentar, pela primeira vez, uma coleção em nome próprio em Portugal. Depois de uma experiência internacional na Tunísia, subir à passerelle do Portugal Fashion representou um marco importante no seu percurso. Mais do que um desfile, foi a oportunidade de dar visibilidade ao seu trabalho e de o apresentar a compradores, imprensa e profissionais da indústria, num momento que descreveu como particularmente gratificante.

A produção local e a valorização do trabalho artesanal reforçam igualmente a filosofia da Malteza. A marca defende uma moda mais consciente, onde o tempo dedicado à criação, a qualidade da confeção e a história por detrás de cada peça assumem maior importância do que o consumo imediato. É uma abordagem que procura estabelecer uma ligação emocional entre o objeto e quem o veste, promovendo uma relação mais duradoura com a roupa.

Com ROYALCHESS, Joana Maltez apresentou uma coleção que vai além da estética. Através da simbologia do xadrez, construiu uma reflexão sobre estratégia, identidade e percurso pessoal, demonstrando que a moda também pode ser uma forma de contar histórias. A estreia no Portugal Fashion Experience 2026 confirmou o surgimento de uma nova voz no panorama nacional, capaz de equilibrar criatividade, técnica e emoção numa linguagem visual profundamente autoral.

“A Malteza nasce, inicialmente, eu criei a marca quando o meu pai faleceu. O meu pai era Maltez, o nome dele. Eu estava a tirar o meu curso de Design de Moda, assim, muito rapidamente. Ele foi uma pessoa que viveu uma vida muito simples. era pescador, nunca… Lá está, uma vida muito simples e quando ele faleceu eu estava a trabalhar em cafés, também nada de especial, e foi aquele olhar de, ok, a vida não pode ser só isto, nós não podemos simplesmente…

Então decidi, ok, vamos começar a estudar aos 26 anos, decidi pensar num curso que pudesse fazer sentido. que pudesse fazer sentido, e nasce a Malteza, com uma homenagem ao meu pai, mas acrescentámos aqui um elemento do A, tendo o Alteza no nome, ou seja, aspirando sempre o divino, o real, o royalties, todas as inspirações que tenho, vem sempre o de deusas, neste caso temos o jogo de xadrez, que eu considero a rainha um dos elementos mais importantes do jogo, é sempre inspirações muito dentro disso do divino. do jogo, é sempre inspirações muito dentro disso do divino, do alto, como escape.

Eu acho que correu bem, ainda tenho que ver o feedback também do resto das pessoas, mas como deve imaginar, extremamente nervosa.

Primeira vez em nome individual em Portugal, já tinha apresentado na Tunísia em nome individual também, mas desta vez foi a primeira vez em nome individual em Portugal.

Sinto -me muito feliz mesmo, muito realizada. Muito agradecida ao Portugal Fashion por a oportunidade também. E acho que correu bem, acho que correu bem. Olha, muito boa pergunta. Sem tentar ser muito clichê, mas acho que acabo sempre por ter que ser. A vida é um jogo, não é? E cada passo que nós damos… acaba sempre por ter um resultado e neste caso em específico, o que eu queria mais trazer aqui era o lado artístico ao nosso vestir, ou seja, a parte do wearable art e de nós conseguirmos misturar no nosso dia a dia peças que fossem não só comerciais, peças normais como camisarias com depois peças que fossem efetivamente artesanais Depois peças que fossem efetivamente artesanais, como os crochés, como se calhar aquelas bolsas maiores. Termos aqui um lado mais artístico, mais… Lá está, haver aqui um limbo entre o que é o comercial e o que é o mais conceptual.

Acho que sim, acho que sem dúvida. Não, só… Lá está, ainda não sou um nome grande, não é? Ainda tenho… Lá está, eu ainda não sou um nome grande, não é? Ainda tenho muito que percorrer, tal como disse, o meu primeiro desfile a nome individual é em Portugal e para já tem sido tudo incrível, as pessoas que têm abordado mesmo ontem em Showroom mostraram interesse de outros países para terem a marca, para perguntarem sobre a marca, por isso eu acho que ajuda bastante, não só na divulgação, como na parte de exposição. Não só na divulgação, como na parte de exposição, que para um designer é sempre a parte mais complicada. E efetivamente depois, ok, faz o teu trabalho, mas e agora expolo? Como é que o vais fazer? A plataforma é que usas e o Portugal Fashion deu-me essa abertura, o que foi fantástico (…)”

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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