Criada no Complexo da Maré, uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro, a Orquestra Maré do Amanhã (OMA) é hoje uma das mais relevantes iniciativas socioculturais do Brasil dedicadas à democratização do acesso à educação musical.
No próximo dia 9 de julho, os jovens músicos sobem ao palco do festival NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras, trazendo a Portugal um projeto que une excelência artística, inclusão social e transformação através da cultura.
A ligação da OMA a Portugal faz parte da própria origem do projeto. A orquestra foi fundada em 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro português Armando Prazeres, uma figura marcante da música clássica no Brasil. Após o sequestro e assassinato do pai, em 1999, no Rio de Janeiro, Carlos Eduardo decidiu transformar a dor em ação social através da música. E justamente na Maré, local onde foi encontrado o carro do maestro, após o crime.
“Quando o meu pai foi assassinado, decidi que a violência não teria a última palavra. A música que ele tanto amava seria o caminho para ajudar a transformar a realidade daquele território. Assim nasceu a Orquestra Maré do Amanhã, para mostrar que o talento pode florescer em qualquer lugar. Basta oportunidade, cuidado e afeto”, afirma Carlos Eduardo Prazeres.
A relação da orquestra com Portugal ganhou ainda maior proximidade nos últimos anos. Em 2023, a OMA esteve no país no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, atuando em várias cidades, como Lisboa, Porto, Cascais, Sines e Arouca, sítio em que nasceu Armando Prazeres. No ano seguinte, na mesma viagem em que a Orquestra Maré do Amanhã teve a oportunidade de apresentar-se para o Papa Francisco, no Vaticano, pela segunda vez (a primeira havia sido em 2017), o grupo fez um emocionante concerto no Teatro Tivoli, em Lisboa.
Ao longo dos últimos 16 anos, mais de 17 mil crianças e jovens foram impactados diretamente pelas atividades da instituição, que oferece formação musical gratuita a populações em contextos de vulnerabilidade social. Reconhecida em 2023 como Património Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro, a OMA desenvolve atualmente atividades em 30 escolas públicas da Maré e mantém, desde 2018, uma sede própria dedicada ao ensino e à prática musical.
A estrutura artística inclui oito núcleos de formação: seis orquestras mirins, a Orquestra Maré do Amanhã e a Camerata Jovem — distinguida como Melhor Orquestra do Brasil em 2019 e 2021 pelo Prémio Profissionais da Música. Além disso, há o programa de iniciação musical em todos os pré-escolares da Maré, um coro infantil e um juvenil e um núcleo de encerramento educativo de preparação para a entrada na faculdade de música e/ou orquestras jovens.
Além do impacto educacional, a Orquestra Maré do Amanhã tornou-se uma presença relevante no cenário cultural brasileiro e internacional. A orquestra realizou digressões pela América do Sul e em países da Europa, participou no Réveillon de Copacabana ao lado da cantora Anitta, perante um público estimado em 2,5 milhões de pessoas, além de integrar o Palco Favela, do Rock in Rio Brasil em 2019, interpretando clássicos do rock brasileiro e internacional.
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