De abril a junho, o Auditório de Espinho recebe música da América Latina e música tradicional arménia, música antiga e sinfónica, sonoridades africanas, mas também marionetas para toda a família, em associação com o Festival Mar-Marionetas, sendo particularmente rico no que toca a novas criações e projetos das estruturas residentes no Auditório de Espinho (AdE): a Orquestra Clássica de Espinho, a Orquestra de Jazz de Espinho, que dentro e fora de portas, propõem concertos especiais e comemorativos.
Para assinalar a Páscoa, a Orquestra Clássica de Espinho apresenta-se na Igreja Matriz de Espinho com o “Concerto de Páscoa”, dia 1 de abril. Com entrada livre, este concerto leva a palco duas obras contrastantes com ressonâncias religiosas: o dramatismo operático de “Stabat Mater”, de Giovanni Battista Pergolesi, que capta a dor da Virgem Maria perante a morte do seu filho; e “Visions”, de John Rutter , que oferece uma perspetiva ímpar da utopia do Paraíso cristão. Como solistas, a soprano Leonor Amaral e a mezzo-soprano Rafaela Veiga, sob a direção do maestro Jean-Marc Burfin.
De volta ao Auditório de Espinho, a 4 de abril, a Orquestra XXI apresenta “A Reforma de Mendelssohn”, um programa centrado nos temas da espiritualidade, renovação e reflexão, a partir de obras emblemáticas do repertório sinfónico. O concerto será dedicado à música de Felix Mendelssohn, com a abertura “Mar Calmo e Próspera Viagem”, inspirada em poemas de Goethe, e a Sinfonia n.º 5 (“Reforma”), obra de forte densidade simbólica, marcada por referências à tradição luterana. O programa integra ainda o “Concerto para piano e orquestra n.º 1” de Johann Sebastian Bach, interpretado e dirigido por Dinis Sousa.
Também com entrada livre e fora de portas, na Capela de Santa Maria Maior, o concerto de música antiga dos italianos Segreti Armonici, no dia 10 de Abril, é uma viagem à época dourada do Barroco, apresentando jóias redescobertas no prestigiado Museu Internacional e Biblioteca de Música de Bolonha.
No dia seguinte, 11 de abril, no Auditório de Espinho, o saxofonista inglês Seamus Blake e o trompetista norte-americano Hermon Mehari, apresentam-se como solistas convidados da Orquestra de Jazz de Espinho para o espetáculo “Miles & Coltrane: ♩=100”. Com um repertório pensado para celebrar o centenário de Miles Davis e John Coltrane – dois gigantes que redefiniram não apenas o jazz, mas a própria linguagem musical deste género no século XX –, este concerto vai enaltecer o que os tornou musicalmente inseparáveis: a busca pela inovação, a coragem de romper fronteiras e a criação de obras que continuam a inspirar gerações.
A 17 de abril, a apresentação ao vivo do espetáculo “Alma Lírica” da cantora e percussionista brasileira Mônica Salmaso, com o pianista Nelson Ayres e o flautista e saxofonista Teco Cardoso, registado em DVD em 2013, pelo realizador e fotógrafo Walter Carvalho. Uma homenagem a clássicos do cancioneiro brasileiro, de Vinicius de Moraes a Dorival Caymmi, Tom Jobim a Vinicius de Moraes, Edu Lobo a Chico Buarque, com arranjos que prezam pelo silêncio, a técnica e a emoção numa viagem pela história da música brasileira, onde o piano, os sopros e a voz se fundem em harmonia perfeita.
Dias 25 e 26 de abril, a cantora, compositora, performer e por vezes atriz, Selma Uamusse vai interagir com o coletivo Projeto Benjamim para dois concertos especiais. Nascida em Maputo, veio para Portugal em sete anos, mas continua a representar a cultura moçambicana, com soul, jazz e afrobeats, criando uma sonoridade única e espiritual. Nestes concertos, vai partilhar o palco com o Projeto Benjamim, um coletivo composto por jovens alunos do ensino artístico especializado da música, tendo como objetivo proporcionar-lhes uma experiência de performance profissional fora do contexto erudito/clássico. Recorde-se que o Projeto Benjamim já partilhou o palco com a espanhola Lorena Álvarez, o brasileiro Castello Branco, e Lena d’Água, entre outros.
No início de maio, dia 2, o pianista e compositor sul-africano Nduduzo Makhathini junta-se à Orquestra de Jazz de Espinho para um concerto que cruza a tradição do jazz com as dimensões espirituais e rituais da música africana. Neste encontro com a OJE, o pianista apresenta arranjos para big-band de um conjunto de composições do seu repertório. A escrita orquestral amplia o universo harmónico e rítmico da sua narrativa, criando um território fértil para a improvisação e para um diálogo intenso entre o solista e a massa sonora da orquestra.
Dando continuidade ao trabalho que as estruturas residentes têm desenvolvido com jovens músicos, a Orquestra Clássica de Espinho convida seis jovens solistas, vencedores da última edição do Concurso de Solistas da Escola Profissional de Música de Espinho, para um concerto dia 8 de maio. Uma viagem por estilos, períodos e instrumentos que levará o público a conhecer as diferentes estéticas dos séculos XIX e XX, numa celebração do virtuosismo e da expressividade.
Em maio, dia 9, a violinista cubana Yilian Cañizares, com o seu trio composto por Inor Sotolongo (percussão) e Childo Tomás (baixo), apresenta o mais recente “Vitamina Y”. Pela primeira vez em Espinho, uma celebração da vitalidade e da mistura cultural da violinista cubana, num universo deslumbrante e multifacetado: os ritmos afro-cubanos, a energia do jazz, a profundidade da música clássica e o pulsar de África encontram-se, reinventam-se e nutrem-se mutuamente.
Também em maio, o AdE associa-se ao Festival Mar-Marionetas, com três produções ao longo do mês. O Teatro e Marionetas de Mandrágora apresenta, a 15 de maio, “A oliveira milenar”, concebido a partir do romance “Escavadoras”, de Marta Pais Oliveira.
Dia 22, The Gurdjieff Ensemble, grupo proveniente da Arménia, regressa a Espinho, para apresentar “Zartir” (lançado pela prestigiada editora ECM), sob a direção de Levon Eskenian. Um trabalho que dá vida ao profundo legado musical de Georges I. Gurdjieff (1877–1949), assim como outras referências da música tradicional arménia. É descrito pela crítica como uma experiência “hipnótica” e “espiritual”.
Voltando às marionetas, “Conta devagar”, do Red Cloud Teatro de Marionetas, é apresentado a 24 de maio, e pensado para toda a família. Uma criação desenvolvida a partir da ideia de multiculturalidade, identidade, tempo, origem e espaço comum, que abraça a canção, a poesia, o movimento e a imagem num ambiente próprio e onírico.
Também para famílias, a 31 de maio, Ana Madureira e Vahan Kerovpyan apresentam “Espanto”, um espetáculo de teatro e música que apela aos espíritos atentos e perguntadores e à importância da ligação cabeça-coração-ação.
O mês de junho começa com a bandoneonista Louise Jallu e o Quarteto de Cordas de Matosinhos a apresentarem “Tanz”, dia 5. O novo disco da instrumentista francesa inclui obras de Bach, Chopin, Schubert, Satie, Schuman, Piazzolla, Delfino e composições próprias.
A 22.ª edição do FEST – Festival Novos Realizadores Novo Cinema volta a dedicar um dia da programação ao encontro entre profissionais de som e música no cinema. A 25 de junho, o “Sound and music Hub” promove masterclasses e estudos de caso, apresentadas pelos melhores profissionais na composição de música para filmes, supervisão de música e edição, e mistura de som.
Até 5 de junho será possível, ainda, visitar, gratuitamente, a exposição “Travessias” de Inês Viegas Oliveira, no foyer do Auditório de Espinho. Vários trabalhos fotográficos, desde originais de livros a imagens produzidas sem qualquer intuito. Todas elas, no entanto, têm algo em comum: a vontade de romper algumas fronteiras e de chegar a quem as vê. Para ver até 5 de junho.
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🖋 Redação / press release
📸 Marco Caselli Nirmal


