Clã + Sérgio Godinho deram início à edição de 2026 do “Conta-me Uma Canção”

A noite de ontem 28 de janeiro encheu o Teatro Maria Matos para o início da quarta edição de “Conta-me Uma Canção”, com a dupla Clã + Sérgio Godinho, numa sala tão cheia e quente que a chuva que restou da tempestade não abalou.

O concerto abriu com “Artesanato”, dos Clã, a quem Sérgio Godinho não poupou elogios logo desde início.

Manuela Azevedo começou por lembrar uma troca de e-mails que iniciou a parceria artística da banda com o escritor de canções, e que remonta à Expo 98. Seguiu-se “Aprendi a Amar” e “Uma Mulher da Vida”, parceria entre Hélder Gonçalves e Sérgio Godinho, seguida da qual Manuela desvendou a mestria e o sexto sentido de Sérgio para escrever canções que se encaixam na perfeição no conceito dos álbuns para os quais são escritas, ou não estivesse este tema incluído em “Rosa Carne”.

Seguiu-se o clássico “Cuidado com as Imitações” de Sérgio Godinho, acompanhado em palco pelo seu “assessor” Nuno Rafael, cujo título descobrimos nascer de uma referência a uma caixa de palitos, que advertia os seus utilizadores a terem atenção às cópias. A canção seguinte foi “Mariana Pais, 21 Anos”, a última colaboração de Sérgio com José Mário Branco, o seu primeiro companheiro de composição. Seguiu-se “Tudo no Amor”, mais uma colaboração dos artistas em palco, escrita por Sérgio Godinho e composta por Hélder Gonçalves. “Big One De Verdade” foi o tema que lhe sucedeu.

Num dos momentos mais animados da noite, “Tipo Contrafacção” mereceu uma interpretação divertida de Manuela Azevedo, que lhe acrescentou nomes usados para imitações de marcas conhecidas, provocando risos no público presente. A ”O Baú de Sigmund Freud” seguiu-se “A Noite Passada”, cantada em uníssono pela plateia, razão para contar a história de como os artistas se conheceram: Sérgio e Nuno Rafael a pretexto da canção “Tou Bom” para a qual os Despe e Siga lhe pediram uma letra, Sérgio e Clã num almoço num restaurante lisboeta que já não existe onde a banda, que na altura tinha apenas dois discos, lhe pediu que participasse num concerto seu – e Sérgio aceitou.

Também no alinhamento estava “O Rapaz da Camisola Verde”, canção celebrizada na voz de Frei Hermano da Camara, momento em que Sérgio Godinho partilhou que aprendeu a compor com as canções de artistas que admirava, como Chico Buarque, Caetano Veloso ou Bob Dylan, entre outros. Seguiu-se “Quatro Quadras Soltas”, com uma interpretação brilhante de todos os músicos e cantores, com Manuela Azevedo a multiplicar-se pelos vários instrumentos que tocava. No fim, a primeira ovação de pé da noite.

Estava guardada para o final a canção “O Sopro do Coração”, a primeira da dupla criativa Godinho/Gonçalves, incontornável no cancioneiro nacional e desejada pela plateia. O espectáculo terminou, precisamente, com a canção “Espectáculo”, levando à segunda e final aclamação de Clã e de Sérgio Godinho pelo público que esgotou a emblemática sala de Lisboa.

“Conta-me Uma Canção” regressa dia 9 de Fevereiro com a dupla Benjamim + Tozé Brito e dia 17 do mesmo mês com Rui Reininho + Samuel Úria.

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🖋 Redação

📸 Paulo Miranda

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