A 16ª edição do Festival Porta-Jazz realiza-se de 6 a 8 de fevereiro, no Teatro Rivoli, no Porto. Sob o tema “A Terra vista do ar“, propõe uma cartografia musical da empatia, da cooperação e da vertigem, ao longo de 28 espetáculos, com mais de 100 músicos de 18 nacionalidades (Portugal, Espanha, Lituânia, Estónia, Finlândia, Suécia, Itália, Noruega, Alemanha, Suíça, Áustria, Rússia, Cuba, Países Baixos, Letónia, Estados Unidos, Argentina e França).
Reflexo da atividade da Associação Porta-Jazz ao longo do ano, o festival aposta num cartaz onde a colaboração entre artistas é o grande destaque. A programação divide-se em blocos, cada um com dois concertos contrastantes, de forma a dar a conhecer a comunidade multigeracional de músicos de jazz que tão bem representam o que de melhor se faz na Europa e no mundo.
Porque “a Terra vista do ar” ganha distância e perspectiva, dá-se palco aos lançamentos discográficos do Carimbo Porta-Jazz – e já são 119 edições, em 14 anos. A saber: o guitarrista José Vale apresenta “Summer School”, uma experiência sonora que mergulha nas raízes do jazz experimental inspirado por composições icónicas de Thelonious Monk e o espírito livre de Ornette Coleman; o pianista Pedro Neves leva a palco o novo “Northern Train“, apresentando-se pela primeira vez em quarteto com o trompetista galego Javier Pereiro; o vibrafonista Ricardo Coelho apresenta o seu álbum de estreia, “KOHELET”; o contrabaixista Sérgio Tavares e o pianista Renato Diz – radicado nos Estados Unidos – dão a conhecer “Between Time and Now”, uma vertigem de música improvisada por 18 anos de cumplicidade; o baterista João Martins apresenta “Oxímoro”, onde evoca uma fusão de contraditórios, como momentos de calma que explodem em intensidade ou a dissonância que se resolve em beleza; o guitarrista AP dá a conhecer “Lado Umbilical”, o seu 5º álbum enquanto líder, com tónica no ritmo, texturas e timbres através de improvisação livre, mas também dando relevo à componente escrita; o multi-instrumentista cubano Hery Paz apresenta “Fisuras”, um trabalho interdisciplinar com Demian Cabaud, Pedro Melo Alves e João Carlos Pinto, e vídeo de Maria Mónica – resultado de uma encomenda da Associação Porta-Jazz e do Festival Guimarães Jazz; e o baterista Miguel Rodrigues dá a conhecer “Antídoto”, onde revela o poder transformador e curativo da música, uma experiência imersiva e emotiva que possibilita reflexão e renovação.
Haverá ainda espaço para conhecer, ao vivo, o novo disco de Mané Fernandes, “sQuigg: playground_etiQuette”, um álbum conceptual onde o universo composicional elástico, colorido e absurdo é desafiado com Luca Curcio, Simon Albertsen e convidados; “Stones and Seeds” do trio composto pela cantora alemã Almut Kühne, o saxofonista João Pedro Brandão e o baterista Marcos Cavaleiro; e o novo álbum da cantora Vera Morais, “Eupnea”, um projeto híbrido que reúne cantoras e flautistas oriundas de áreas diversas, do avant-jazz europeu à música contemporânea, passando pela música improvisada: Liva Dumpe, Sarah van Eijk, Teresa Costa e Ketija Ringa-Karahona.
Já o baterista Zé Stark irá estrear “Go Tell It On The Mountain”, a encomenda Ensemble Mutante de 2026, que estabelece um diálogo entre a criação musical e o romance com o mesmo nome, de James Baldwin. Acompanhado por Fábio Mota, Yudit Almeida, Ricardo Moreira, Fernando Brox e Lucas Oliveira, Zé Stark reflete, em palco, as suas influências musicais mas também culturais e literárias.
Criado em 2025, para a 15.ª edição do Festival Porta-Jazz, o super grupo Ursa Maior, composto por cerca de 30 músicos da Porta-Jazz, volta a apresentar-se ao vivo tendo como foco, desta vez, a exploração da voz.
Em parceria com coletivos congéneres, chegam ao Festival Porta-Jazz os projetos Improdimensija (Lituânia) com “Leaking Pipes”, um quarteto de saxofones composto por Maria Faust, Mikko Innanen, Fredrik Ljungkvist e Liudas Mockunas; Bezau Beatz (Áustria) com “SATT”, uma poderosa experiência sonora eletroacústica que ultrapassa os limites da improvisação, composto por Beatdenker aka Jo “Beatdenker” Wespel, Christian Weber, Alfred Vogel e a participação especial de Olga Reznichenko (keytar); Orbits (Países Baixos) com “Diagonal Shift”, um quarteto liderado pelo saxofonista e compositor Hristo Goleminov, que inclui alguns dos improvisadores mais proeminentes da cena musical de Amesterdão: Ketija Ringa-Karahona, Michael Moore ee Federico Calcagno; NICA (Alemanha) com “Serpentine” do pianista e compositor Felix Hauptmann, que partilha o palco Jorik Bergmann, Fabian Dudek, Samuel Mastorakis, Ursula Wienken e Leif Berger; e AMR – Genève (Suíça) com “w.d.c.a.”, que junta Florence Melnotte, Anthony Buchlin, John Menoud, Gregor Vidic, Ludovic Lagana, Brooks Giger e Nelson Schaer.
Tal como tem vindo a acontecer, a abertura do festival está marcado para o Espaço Porta-Jazz, no dia 5, com concertos a partir das 21h30.
Na sexta-feira, dia 6, às 17h00, realiza-se o workshop com Beatdenker, o guitarrista, compositor, produtor, investigador do ritmo e pensador alemão Joachim “Jo” Wespel, conhecido por ter desenvolvido vários conceitos rítmicos únicos.
No sábado, às 15h00, um desafio à improvisação, espontaneidade e participação do público na Batucada Instantânea, com direção do baterista Eduardo Dias e Acácio Salero.
Para toda a família, e em particular as crianças, no domingo, às 11h00, os músicos do Serviço Educativo da Porta-Jazz propõem um concerto participativo, inspirado no tema do festival: “A Terra vista do ar”. Sem necessidade de qualquer preparação prévia, as famílias são desafiadas a interagir no espetáculo.
Como é habitual, o festival também tem um palco no TMP Café. Da programação fazem parte os concertos das escolas de música – ESMAE (dia 6) e do Conservatório de Música do Porto + ART’J (dia 8) –, os DJ sets de Rui Miguel Abreu (dia 7) e de Pedro Tenreiro (dia 8), e jam sessions abertas a todos.
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🖋 Redação / press release
📸 Simon Trel


