Esta será a estreia em nome próprio do XTINTO, nome artístico de Francisco Santos, numa das salas mais importantes da capital.
“Assunto Meu” apresenta-se como uma sátira ao conforto da indiferença, àquela forma tão portuguesa de fechar a porta e dizer que “não se mete em nada”. A letra dá voz ao cidadão que se orgulha do seu silêncio, confundindo liberdade com desresponsabilização, enquanto observa o mundo a desmoronar-se do sofá. É um espelho da apatia coletiva, do “deixa andar” que atravessa a sociedade e transforma cada um em cúmplice involuntário.
O processo criativo nasceu de forma espontânea, após receber um instrumental de Beiro, XTINTO começou a registar versos em voice notes durante uma viagem para Lisboa, concluindo o refrão e a primeira estrofe antes de chegar ao estúdio, onde gravou de imediato a primeira demo. Foi uma experiência única na sua carreira, marcada pela urgência e pela intensidade criativa.
Natural de Ourém, XTINTO destacou-se desde cedo pela escrita meticulosa e pela capacidade de construir imagens poéticas, cruzando hip-hop contemporâneo, música alternativa e experimentação sonora. Desde a estreia com Odisseia em 2015, passando por temas como “Opus Magnum”, “Pentagrama”, “Marfim”, “Android” e “Éden”, este último distinguido com galardão de ouro, até aos EPs “Ventre e Inacabado”, consolidou-se como um dos nomes mais distintos da nova geração da música urbana portuguesa. Em 2023 editou o álbum de estreia Latência, um trabalho introspectivo que aprofundou o seu universo conceptual e reforçou a sua reputação de artista rigoroso e emocionalmente transparente. Agora, em 2026, prepara-se para apresentar “Em sonhos é sabido não se morre”, um projeto mais maduro e cinematográfico, onde reflete sobre memória, fragilidade e construção pessoal.
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