O Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras, recebe no próximo dia 12 de dezembro, às 21h00, o concerto de Abul Mogard, que assinala a estreia do VERGE, um novo ciclo dedicado à música e à criação artística. Resultante de uma coprodução entre a Amplificasom e a Câmara Municipal de Felgueiras, esta primeira edição propõe uma experiência que ultrapassa o formato convencional de concerto, explorando o diálogo entre o universo sonoro do músico italiano e a história, a arquitetura e a dimensão acústica de um espaço com mais de mil anos. A entrada é livre, sujeita à lotação do espaço.
Concebido a partir da exploração do potencial do limiar, o VERGE procura aproximar elementos aparentemente opostos, como o silêncio e o som, o passado e o futuro, a permanência e a transformação. A sua primeira edição nasce de um encontro fortuito, ocorrido em setembro de 2024, durante uma visita ao Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro. Nesse momento, a música de Abul Mogard, ouvida através de auscultadores, alterou a perceção do espaço e revelou uma afinidade inesperada entre as suas paisagens sonoras e a arquitetura do mosteiro. Dessa experiência surgiu a vontade de transformar uma escuta individual num acontecimento coletivo, em que a música e o lugar se tornam indissociáveis.
Abul Mogard é o alias artístico de Guido Zen, músico italiano que constrói, através de sintetizadores, samples e drones, composições de grande densidade emocional. A sua música desenvolve-se lentamente, através da sobreposição de frequências, texturas e transformações tímbricas quase impercetíveis, criando paisagens sonoras que parecem suspender a passagem do tempo. Entre a memória e o sonho, a matéria e o invisível, o seu trabalho explora as possibilidades expressivas do som e da escuta, numa experiência que oscila entre a contemplação e a intensidade. Com um percurso internacional consolidado, Abul Mogard tem apresentado o seu trabalho em festivais e instituições como Berlin Atonal, Le Guess Who?, MUTEK, Centre Pompidou, Southbank Centre e Centro de Cultura Contemporánea Condeduque, tendo também colaborado com artistas como Anna von Hausswolff, KMRU e Rafael Anton Irisarri.
Para esta primeira edição, o VERGE escolhe um lugar cujas origens remontam ao ano de 853, convocando a memória e a permanência do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro para um encontro com a experimentação eletrónica contemporânea. A arquitetura, a ornamentação, o silêncio e a ressonância natural do edifício deixam de ser apenas elementos da sua envolvente para participar ativamente na experiência musical.
O espaço transforma a forma como o som é ouvido, enquanto a música propõe outras maneiras de habitar e percecionar o mosteiro
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Redação / press release

