Valter Lobo anda outra vez na estrada e desta vez passou pela Casa da Música no Porto na noite de 17 de maio para apresentar o seu mais recente álbum, “Melancólico Dançante”.
Inspirado numa nova paisagem sonora, mas sem se desviar da sua melancolia constante e “irritante” (no bom sentido), Valter levou-nos numa viagem por outras latitudes dançantes que lhe serviram de inspiração para uma construção de canções mais poéticas revestidas por ritmos mais refrescantes e tropicais.
Como sempre as canções de Valter Lobo são assentes em histórias e sensações pessoais, mantendo sempre aquela carga emocional revelada em 2015 no disco “Mediterrâneo” e assumida nos discos que se seguiram, “Primeira Parte de um Assalto” – onde o romantismo se junta à melancolia -, “Inverno” – a estação preferida de Valter Lobo -, e agora “Melancólico Dançante”.
Poderia ser o encerrar de um ciclo mas não, é de uma forma simples mas trabalhada, o amadurecimento de um artista que vive em palco e nas canções a sua melancolia abraçada pela melancolia do mundo que o rodeia, uma redundância? Talvez. Uma vivência que o afasta, de olhos fechados, por minutos ou por horas desse mundo, absorvendo essa energia que lhe chega por vezes em forma de um simples assobio.
Em palco apresentou-se acompanhado pela sua banda (Jorge Moura, Pedro Santos e Pedro Oliveira), transmitindo uma sonoridade mais musculada e ritmada, dando uma nova roupagem a temas carismáticos da sua carreira como “Oeste” praticamente a fechar o concerto.
Mas Valter Lobo não quis abdicar da sua melancolia muito própria, dispensando por vezes os seus colegas de palco, abraçando de forma singela a sua voz à guitarra que lhe servia de suporte.
Ao quarto álbum, Valter Lobo continua a mostrar que a simplicidade e honestidade musical são o caminho para hipnotizar uma Casa da Música esgotada.
__________________________________________________________________________________________________________________________
? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


