Um ritual de cura em palco com Silvana Estrada na Casa da Música

Há concertos que se assistem. E há concertos que se vivem por dentro.

O de Silvana Estrada pertence, sem hesitação, à segunda categoria. A artista mexicana voltou a Portugal com uma presença que parece desafiar a lógica do espetáculo: nada é excessivo, nada é ornamental, e ainda assim tudo é profundamente arrebatador.

Silvana tem uma capacidade rara de transformar silêncio em matéria emocional. A sua voz — quente, terna, quase táctil — não procura imponência; procura verdade. E encontra-a. Cada frase parece nascer de um lugar íntimo, onde a fragilidade não é fraqueza, mas força revelada. O cuatro venezuelano, companheiro inseparável, funciona como extensão do corpo, como se cada corda fosse uma linha direta ao coração.

O alinhamento percorre temas marcados por contrastes intensos: o luto que moldou “Marchita”, a luz que atravessa “Vendrán Suaves Lluvias”, e a eterna tensão entre dor e esperança que define a sua escrita. Silvana não dramatiza; partilha.

E essa partilha cria um espaço onde o público se reconhece, se emociona, se permite sentir.

A primeira parte esteve a cargo da artista da Costa Rica Sofi Paez.

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🖋 Redação

📸 Sérgio Pereira

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