É o palco mais popular do NOS Alive, mas é igualmente o palco menos pop-ular do festival. Sim, o pop na verdadeira ascensão da palavra afasta-se da formatada música pop presente noutros palcos do festival.
Em 2025 a Arruada voltou a ser a promotora responsável pela programação do Palco Coreto procurando dar a conhecer novos valores da nova música nacional seguindo uma linhagem mais alternativa.
Durante os três dias marcamos presença nas duas primeiras atuações de cada dia.
Gisela Mabel, pianista, compositora e produtora luso-angolana, teve as honras de abrir o palco e o festival no primeiro dia com uma linguagem emocional e rítmica, onde o teclado se transforma num espelho íntimo, capaz de traduzir memórias e afetos em som.
A sua estreia em grandes palcos aconteceu em 2024 no Ageas Cooljazz. Neste regresso a grandes palcos apresentou os temas do seu disco de estreia “Álbum de Retratos”.
Seguiu-se o projecto de Paloma Moniz e Ricardo Gonçalves, Girls 96. Intensidade e ingenuidade dos rituais caóticos da noite vestida de synth pop e electroclash, com beats pulsantes e vozes glitchy blasé. Foi em Londres que esta amalgama sonora foi idealizada e apresentada em “1996”, o disco de estreia do duo que contou com a produção de Rodrigo Castaño. No caos da sua sonoridade a noite fez-se dia e o synth pop deu lugar à dança junto do coreto.
No segundo dia fomos apenas conhecer Marianne. Marianne, combina música com a expressão nas áreas das artes performativas espelhada em “INVERTIDO”, o mais recente registo do artista multidisciplinar.
Em palco as canções refletem a necessidade de querer entregar uma mensagem sublinhando as fragilidades do dia-a-dia e a visão duma linha temporal emocional que nos reúne enquanto seres humanos.
No terceiro e último dia a nossa viagem ao palco coreto aconteceu logo ao final da tarde com a apresentação de Inês Monstro. A artista que prepara o lançamento do seu segundo álbum depois da estreia com “Brilho“, deu a conhecer no seu estilo hyperpop, canções que exploram territórios emocionais e conceptuais mas que são um reflexo da sua própria personalidade.
A nossa despedida do Palco Coreto fez-se ao som a suavidade melódica de Luis Severo. Acompanhado apenas pela sua guitarra, Severo – que já não é um artista emergente – brindou o público com canções que são um olhar de fora (mesmo ainda estando dentro) sobre memórias de amores, mas também um questionamento quanto às incertezas da sua vida. Incertezas, mas da vida dos outros, levaram a que a parte final do concerto fosse atribulada devido ao desmaio de uma pessoa no público.
Mais uma vez a alinhamento proposta pela Arruada enquanto curadora do palco coreto resultou, abrindo portas que alguns destes artistas possam evoluir para outro palco do festival em edições futuras.
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? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


