Um concerto para crescer por dentro com Mão Verde

A Casa da Música encheu‑se de famílias, gargalhadas e pequenas mãos no ar para celebrar o regresso de Mão Verde ao Porto.

Na tarde de domingo, 19 de abril, o coletivo formado por Capicua, Francisca Cortesão, António Serginho e Pedro Geraldes apresentou ao vivo o novo capítulo do projeto — “Mão Verde III” — num espetáculo que foi tão concerto quanto aula viva de imaginação, ecologia e cidadania.

A sala esgotada confirmou o que já se sabia: dez anos depois, Mão Verde continua a ser um dos projetos mais transformadores da música portuguesa para públicos de todas as idades.

O concerto assinalou os dez anos de estrada do grupo, celebrados com a estreia das novas canções e poemas que compõem o disco‑livro agora editado. Tal como o álbum, o espetáculo navegou entre temas ambientais, diversidade, democracia e solidariedade — sempre com a leveza poética e a energia contagiante que definem o universo Mão Verde.

As crianças cantavam, os adultos sorriam, e a banda parecia alimentar‑se dessa troca constante. Era música, mas também conversa, descoberta e brincadeira.

O novo repertório — composto por dez canções e dois poemas inéditos — ganhou vida no palco com arranjos vibrantes, percussões inventivas e a habitual cumplicidade entre os quatro músicos. Capicua guiou o público com a sua palavra clara e afetuosa, enquanto Francisca Cortesão trouxe a doçura melódica que equilibra o lado mais rítmico de António Serginho e a arquitetura sonora de Pedro Geraldes.

Entre os temas mais celebrados da tarde esteve “Vira do Reviralho”, apresentado como homenagem ao 25 de Abril e ao legado democrático que molda o país. A canção — descrita como um “antes e depois” da nossa democracia — foi recebida com entusiasmo por miúdos e graúdos, num dos momentos mais simbólicos do concerto.

O concerto de Mão Verde na Casa da Música foi mais do que a apresentação de um novo disco: foi uma celebração da criatividade, da consciência ambiental e da força da música enquanto ferramenta de transformação.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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