O dia 27 de março, na Super Bock Arena, alguns minutos após as 21:30, foi marcado pelo regresso aos palcos dos Trovante.
Após duas noites únicas na Meo Arena, chegou a vez do Porto, a cidade que exprime aquilo que sente, que vive e acolhe a música de uma forma muito sua.
Sob o tema, VIVER TUDO NUMA NOITE, não posso deixar de referir o nome dos elementos da banda, que estiveram em palco, na sua formação clássica,e que se destacaram cada um à sua maneira, Luís Represas; João Gil; Manuel Faria; Artur Costa; Fernando Júdice; José Salgueiro; João Nuno Represas, e Gui Salgueiro. Uma banda não se resume a uma voz, embora a voz de Luís Represas nos remeta sempre para a banda dos Trovante, mesmo que lance um tema a solo.
O recinto estava esgotado, grupos familiares extensos, com início nos bisavós e a terminar em crianças, que acabaram por adormecer, casais jovens, e a grande maioria do público, pelo aspecto físico remetia para a geração pós 25 de abril.
A banda interpretou mais de 20 temas, e demonstrou que os clássicos não se esquecem, o tempo não apaga, “As memórias são como livros escondidos no pó/ As lembranças são os sorrisos que queremos rever devagar”.
Os Trovante não apresentaram os seus temas originais com novas roupagens, mas sim “como sempre foram”, para reviver a cumplicidade construída ao longo de décadas. E conseguiram!
Destaco todo o ambiente vivido durante o concerto, a nostalgia do passado, a participação efusiva do público, que sacudiu o pó das memórias e entoou os temas que estavam guardados no baú.
É óbvio que vou destacar os temas que têm mais significado para mim, e também, para a maioria do público presente, como por exemplo, “Travessa do Poço dos Negros”; “Balada das Sete Saias”; “Perdidamente”; “Chão Nosso”; “Saudade”; “Molinera”, dedicada a Carlos Tê, “Timor”, e “125 Azul”.
O concerto foi um regresso ao passado, foi quase como voltar a ler um livro que nos marcou em determinada altura, e ao relê- lo o passado regressa, as memórias voltam, independentemente de serem boas, ou más. Normalmente, só temos tendência a ir buscar as memórias positivas, mas até as menos positivas contribuíram para o que somos hoje.
O público que esgotou a Super Bock Arena, estava com pouca vontade de sair do recinto no final do espetáculo.
Não se vive tudo numa noite, as memórias quando são chamadas numa noite demoram a ir embora, ficam, permanecem e levantam questões.
Este concerto foi um reencontro emocional entre a banda e o público, e a prova de que décadas depois, os Trovante continuam a ocupar um lugar especial na música portuguesa, com temas que atravessam gerações. Uma celebração coletiva da música portuguesa.
E Viver Tudo Numa Noite, não devia ficar por aqui, devia de chegar a outras cidades, e mostrar à banda que é impossível transportar 50 anos de carreira para uma única noite.
Obrigada pelo magnífico concerto!
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Ana Cristina
📸 Sérgio Pereira


