Tiago Nóia apresenta “Comem Tudo”, novo single que antecipa o seu primeiro longa duração, com edição prevista para setembro.
“Comem Tudo” surge como uma canção direta e incisiva, que coloca em primeiro plano uma crítica frontal ao capitalismo contemporâneo. A música estende “na mesa, a nu, um prato cheio de fome”, evocando a ideia de um sistema voraz e insaciável que transforma o consumo numa nova divindade. A imagem central da canção aponta para um capitalismo “canibal”, erguido como um novo Deus sobre as sociedades modernas – uma força que pune o amor próprio e fragiliza o cuidado pelo outro. A pergunta que atravessa o tema permanece inquietante: “o que sobra de nós quando de nós não sobra nada?”
A letra transforma essa reflexão num retrato social marcado pela ironia e pelo desencanto. “Eles comem tudo e deixam nada”, canta Tiago Nóia, numa frase que resume o sentimento de exaustão perante estruturas que prometem progresso enquanto aprofundam desigualdades. Ao longo da canção, a narrativa expõe a tensão entre sobrevivência e alienação, evocando um quotidiano marcado pela repetição e pela submissão: “Porque um homem só é livre / Depois de se vender, sempre ouvi dizer”.
O discurso lírico alterna entre sarcasmo e desespero, revelando personagens presas num ciclo de trabalho, promessas e espera. A imagem do trabalhador que aguarda autorização para gestos mínimos – “à espera de quatro em quatro horas posso mijar” – surge como metáfora de um sistema que regula até os instintos mais básicos. Ao mesmo tempo, a promessa recorrente de que “amanhã vai ser muito melhor” ecoa como um mantra vazio, repetido para manter intacta a ilusão de progresso.
Musicalmente, “Comem Tudo” condensa a identidade estética de Tiago Nóia: uma fusão crua entre energia punk, produção lo-fi e uma escrita marcada pelo surrealismo e pela crítica social. O tema foi escrito e composto por Tiago Nóia, que assume também a voz, guitarra, produção, captação, mistura e masterização. A canção conta ainda com sintetizadores e teclados de Maria Ana Guimarães e bateria de João Quinhentas.
O tema foi gravado na Sala 141 do Centro Comercial STOP, espaço emblemático da criação musical no Porto. A componente visual – incluindo o artwork e o visualizer de “Comem Tudo” – foi igualmente concebida pelo próprio artista.
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🖋 Redação / press release


