Há concertos que parecem acontecer num palco. E há outros que parecem acontecer num universo próprio. The Last Dinner Party pertencem, sem hesitação, à segunda categoria. No seu regresso aos palcos portugueses este domingo 8 de fevereiro, o quinteto britânico ofereceu um espetáculo que foi muito mais do que música: foi estética, narrativa, performance e uma afirmação inequívoca de que a nova geração do art‑rock feminino está a escrever as suas próprias regras.
A banda surgiu em palco com a confiança de quem sabe exatamente o que está a fazer. Vestuário teatral, atitude irreverente, energia elétrica — tudo cuidadosamente orquestrado, mas sem perder a espontaneidade. A vocalista Abigail Morris comandou a sala com uma presença que mistura intensidade dramática e charme punk num cabaret pós‑moderno.
Abigail não canta apenas — interpreta. Cada gesto, cada olhar, cada inflexão vocal parece carregar uma história. A sua voz, poderosa e versátil, move‑se entre o sussurro sedutor e o grito libertador, sempre com uma precisão emocional que prende o público do primeiro ao último minuto.
O espetáculo é um banquete visual: luzes dramáticas, poses quase escultóricas, uma paleta estética que mistura romantismo vitoriano com irreverência indie. Mas nada disto seria suficiente sem a solidez instrumental que sustenta cada tema. As guitarras são afiadas, o baixo é pulsante, a bateria é precisa e a secção eletrónica acrescenta camadas que elevam o concerto a algo quase cinematográfico.
Quando o concerto terminou, ficou no ar a sensação de que tínhamos assistido ao nascimento de algo maior do que uma banda em ascensão.
The Last Dinner Party são, neste momento, uma das propostas mais ousadas e cativantes da música alternativa. Ao vivo, confirmam tudo aquilo que prometem em estúdio — e acrescentam uma dimensão teatral que as coloca num patamar muito próprio.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


