“Tears in the rain”… o hino da fragilidade de porcelana dos Ledher Blue

“Tears in the rain” é o terceiro lançamento e último de “Downside Up”, EP de estreia dos Ledher Blue. Se “Jar” serviu para pintar o quadro e Sandcastles para explicar o seu conceito, “Tears in the rain” é o percurso ensanguentado do indivíduo que lhe atirou com ácido na exibição.

A música prende-se na sua própria energia e sempre que parece que se vai desemaranhar, volta a cair no mesmo buraco e a engrossar o novelo. As guitarras ilustram este sentimento da melhor maneira. Sempre que chegam ao momento chave para fechar a linha principal, são atiradas de novo para a cave – sem ter sequer visto o Sol – e gritam de forma visceral toda a frustração. Já o baixo e a bateria fecham a música num ambiente quente para que a voz possa gestar livremente na morbidez da letra.

“Tears in the rain” é o hino da fragilidade de porcelana do indivíduo que não chora. Ele – tal como a música – quando tudo indica que está quase a explodir, aperta as mãos como esmagadoras, presenteia a carne com unhas, enraíza-se num quê isolador e como por obra divina retrocede a metamorfose para o mesmo estágio primário de figura reverente, com feição de quem controla. Um homem só chora quando alguém lhe fuma no olho ou na tempestade quando a lágrima é indistinguível da chuva.

É uma canção que se rebate no amor à cidade pequena, na rixa mundana, na mesquinhez de mágoas passadas e no aglomerado raivoso que pode ser a vida – sem nunca mostrar fraqueza aos seus.

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