Somos Todos Migrantes é um espetáculo comunitário que acontece no centro da vila de Arouca

Somos Todos Migrantes é um espetáculo comunitário que acontece no centro da vila de Arouca e que cruza teatro, música e vídeo, para refletir sobre a condição humana da migração.

A partir da memória coletiva do território, o público é desafiado a reviver o espírito da grande evasão de Arouca, no século XX, quando tantos partiram em busca de melhores condições de vida, sobretudo rumo ao Brasil e à França. 

Num gesto de evocação também dos povos que foram passando pela região — romanos, árabes, berberes e medievais —, o espetáculo revela como o movimento e a deslocação fazem parte da história profunda deste lugar e da própria humanidade.

Entre passado e presente, Somos Todos Migrantes integra as cerca de 5 nacionalidades que hoje habitam a vila, explorando as causas, os desejos e as consequências da migração: a esperança de um novo futuro, as dificuldades da integração, os riscos da migração ilegal, a saudade e a distância. Ao mesmo tempo, lança um olhar sobre os anseios das gerações mais jovens e a permanente necessidade humana de partir. Num espaço simbólico de encontro – a praça – constroi-se uma narrativa sensível e plural sobre pertença, identidade e transformação.

O espetáculo de Arouca parte de uma pergunta simples, mas profundamente humana – o que nos une, a todos nós, independentemente da nossa origem? A resposta está na experiência universal da migração, essa travessia que, em diferentes épocas e por razões distintas, moldou as histórias das famílias arouquenses e continua a moldar as vidas de quem hoje chega ao concelho à procura de uma vida melhor. 

A componente artística está inteiramente a cargo do Teatro do Bolhão, com direção artística de Miguel Hernandez. A criação do espetáculo é desenvolvida em estreita colaboração com a comunidade local e migrante, num processo participativo que transforma cada ensaio numa experiência de encontro, partilha e crescimento coletivo. 

O objetivo é claro: promover a inclusão e integração da população migrante na comunidade local de Arouca, criando um momento de celebração partilhada onde não há protagonistas isolados, mas uma voz coletiva construída por todos. 

Palcos do Mundo é uma peça de teatro comunitário que viaja no tempo e na memória coletiva de Arouca. Em três movimentos – o passado, o presente e o futuro –, o espetáculo convoca histórias reais e ficcionadas que nos lembram que a mobilidade humana é um traço constitutivo da nossa identidade enquanto povo. 

No passado, recordamos a Arouca que viu partir os seus filhos: gerações inteiras que emigraram para a França, para a Alemanha, para o Brasil, em busca de condições de vida que o território então não conseguia oferecer.

No presente, reconhecemos a Arouca que recebe: brasileiros, ucranianos, santomense, cubanos, suíços que aqui encontraram um lugar para construir a sua vida. Histórias de coragem, de adaptação, de línguas que se misturam e de sabores que se partilham à mesa. A integração não é um processo linear nem isento de dificuldades, mas é, acima de tudo, um compromisso ético que a comunidade arouquense assume com convicção. 

No futuro, sonhamos com Arouca mais forte precisamente por ser mais diversa: um território onde a comunidade local e a comunidade migrante se reconhecem como parceiras no mesmo projeto de desenvolvimento, construindo juntas uma identidade plural e vibrante. 

Palcos do Mundo – Somos Todos Migrantes acontece a 25 de julho.

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🖋 Redação / press release

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