Mais do que habituado a dar, através dos seus filmes, a conhecer ao público lendas, costumes, cidades e tradições, Diogo Varela Silva está de volta às telas.
Depois de nos ensinar a chocalhar em Lazarim com O Diabo do Entrudo (2024) e a respirar o Fado com Do Bairro (2021) o realizador regressa aos documentários individuais.
Após décadas, na sua maioria, dedicadas a documentar a vida de personalidades marcantes do meio artístico português (João Ayres, Pintor Independente / Zé Pedro: Rock ‘n’ Roll / Celeste / Fernando Maurício – O Rei Sem Coroa) eis que Varela Silva se estreia num admirável mundo novo.
O mundo do boxe.
Mas desengane-se quem julgar que Soco a Soco é um documentário sobre essa modalidade.
Longe disso.
No mais recente trabalho do realizador lisboeta, que faz cinema como quem conta histórias, os holofotes não recaem no pugilismo.
Nas luvas. No tapete. Ou no gongo.
Recaem, sim, no miúdo que as calçou, pela primeira vez, aos doze anos, e nunca mais as tirou. No jovem que, tantas, mas tantas vezes foi para lá atirado, e que em todas, mas mesmo todas elas se levantou. No adulto que continua (mesmo já não praticando, mas treinando, ainda, jovens e arbitrando combates) sempre alerta e pronto para o próximo round.
“Soco a Soco” é sobre Orlando Jesus.
Antigo campeão nacional, também conhecido como “Punhos de Ferro” ou “o homem que jogava bonito”.
Uma verdadeira lenda viva dos ringues que, aos 72 anos, continua a inspirar e expirar a modalidade.
É sobre paixão. Sobre acreditar.
É transformar algo pagão em algo religioso.
E, ao som dessa crença, bailar.
Seja por entre quatro cordas elásticas ou pelas ruas escuras e malditas de uma Lisboa antiga e boémia.
E por falar em bailar, um aspeto, também, de muito importante ressalva nesta obra é a sua banda sonora.
(Ou não estivéssemos a falar de um filme de Diogo Varela Silva…)
Assinadas por Iúri Oliveira e André Júlio Turquesa, e com a participação especial de Gaspar Varela, as seis faixas instrumentais são uma preciosa ajuda para uma completa imersão na vida, tão luminosa como sombria, de Orlando.
“Soco a Soco” estreou esta quinta-feira, 14 de Maio, no Cinema City Alvalade numa sessão especial que contou com a presença tanto de Diogo Varela Silva como de Orlando Jesus.
E, porque nada tem um fim, a viagem continua hoje no Cinema Ideal (21:15) e segunda-feira, dia 18, na Casa do Cinema de Coimbra (19:00).
À parte destas sessões comentadas “Soco a Soco” fica, em sessão, no Cinema City (Alvalade / Campo Pequeno / Alegro Alfragide / Setúbal) , nos Cinemas NOS (Amoreiras / Alma Shopping / Alameda Shop&Spot) e no Auditório Salgado Zenha.
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🖋 Mariana Couto


