O septeto vocal feminino Segue-me à Capela acaba de lançar “Quando um fio s’ensarilha”, um novo trabalho discográfico que aprofunda o diálogo entre a música tradicional portuguesa e a criação contemporânea, tendo a voz como instrumento central.
Dez anos depois de “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher” e mais de duas décadas após o álbum de estreia, o grupo regressa com um disco que assume o “nó” como uma metáfora sonora e poética: os nós, os emaranhados e as imperfeições tornam-se matéria criativa, lugar de encontro e de transformação. Sete vozes, sete fios, sete cravos abertos ao mundo: um disco que celebra a complexidade, a memória e a alegria de cantar em conjunto.
“Quando um fio s’ensarilha” nasce de um processo profundamente coletivo, que parte de arranjos originais sobre recolhas tradicionais e integra um poema de João Pedro Mésseder e outro de Amélia Muge, figura maior da música portuguesa e presença determinante na construção deste trabalho. Os arranjos foram desenvolvidos pelo grupo, por Amílcar Cardoso, por Sebastião Antunes e pela Amélia Muge, em estreita colaboração, num exercício de criação alinhavo a alinhavo.
A produção e direção musical são assinadas por Segue-me à Capela, com acompanhamento na produção musical de Amélia Muge. Para além das vozes do grupo e da percussão de Quiné Teles, o álbum conta com a participação de Sebastião Antunes e de Stereossauro, como músicos convidados.
As misturas e masterização ficaram a cargo de Fernando Nunes (Naná). A identidade visual do disco inclui ilustração de Catherine Boutaud e design gráfico de Carolina Simões.
O repertório baseia-se em recolhas de referência realizadas por Armando Leça, Artur Santos, Catarina Moura, Ernesto Veiga de Oliveira, GEFAC – Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra, Manuel Rocha e Michel Giacometti, reafirmando o compromisso do grupo com a preservação e reinvenção do património musical português.
O primeiro avanço deste novo ciclo foi dado a 6 de fevereiro, com a edição do single “Zamburra”. Entre muitas possibilidades, a escolha não foi imediata, era preciso começar por um nó. Tema inaugural do álbum, “Zamburra” inscreve-se no ciclo de Inverno e era tradicionalmente cantado por alturas do Entrudo, tempo de passagem e inversão, quando os corpos despertam do frio e a vida volta a circular. Correm mar abaixo as coisas que o dinheiro não compra, enquanto das casas escapam espanta-males, graças e gritos que devolvem pulsação aos dias. Com arranjos assinados por Segue-me à Capela, Amélia Muge, Zé Martins e Quiné Teles, a partir de uma recolha de Armando Leça, em Malpica (Castelo Branco), o tema revela o universo sonoro do novo disco: polifonia vocal, percussão de raiz popular e uma abordagem contemporânea ao património tradicional.
A apresentação ao vivo do novo álbum acontece a 7 de março, às 21h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo | Escola da Noite, em Coimbra
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