Sara Correia a consagração na MEO Arena esgotada

Lisboa viveu, no passado sábado, 7 de março, uma noite histórica. Sara Correia subiu pela primeira vez ao palco da MEO Arena, num espetáculo totalmente esgotado quatro meses antes da data, naquela que foi a consagração como uma das maiores vozes da sua geração e como protagonista maior do fado contemporâneo.

Este concerto marcou o início da era “Tempestade”, o quarto álbum de estúdio da artista, editado a 27 de fevereiro de 2026. Integralmente escrito por mulheres, o novo álbum representa um momento de afirmação artística e simbólica na carreira de Sara Correia, aprofundando a sua identidade e ampliando a narrativa feminina no universo do fado.

Ao longo de mais de duas horas, Sara conduziu o público por um alinhamento intenso e emotivo, que cruzou a força dos novos temas com canções que já são marcos do seu percurso. A noite abriu com “Avisem Que Eu Cheguei”, afirmando desde o primeiro momento a dimensão da ocasião. Seguiram-se temas como “Eu Venho”, “Porquê do Fado”, “Liberdade” e “Marias na Terra”, que ecoaram numa arena em comunhão. O respeito de mais de 12 mil almas pelos silêncios e a eclosão em palmas testemunham a emotividade da noite, não apenas pela fadista emocionada mas numa total comunhão com o público.

O espetáculo contou ainda com convidados especiais, que não estavam anunciados, e que reforçaram a pluralidade artística desta nova fase: Mila Dores, a autora da canção, ao piano em “As Mãos do Meu Carinho”, Carolina Deslandes em “Canto”, Pedro Abrunhosa em “Que o Amor Te Salve” e os Calema em “Respirar”, encontros que sublinharam a capacidade de Sara Correia em dialogar com diferentes universos musicais sem nunca perder a raiz fadista. A fadista foi acompanhada em palco pela sua banda: Diogo Clemente (diretor musical e viola de fado), Ângelo Freire (Guitarra portuguesa), Frederico Gato (baixo), Joel Silva (bateria) e por uma composição de cordas pensada especialmente para este espectáculo.

Momentos de grande intensidade como “Ódio”, “Nevoeiro”, “Era o Adeus”, uma “Balada de Outono” interpretada na plateia, com a guitarra portuguesa de Ângelo Freire a acompanhar, e “Dizer Não” antecederam uma reta final arrebatadora, com “Quero é Viver” e uma emocionante interpretação de “Estranha Forma de Vida”. No encore, “Pechincha” e “Chelas” encerram a noite em celebração, perante uma MEO Arena totalmente rendida, que se levantou toda para ovacionar Sara Correia.

Mais do que um concerto, esta estreia no maior palco do país esgotado foi uma consolidação: Sara Correia ocupa agora, de forma plena, o seu lugar de destaque no Fado Português.

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🖋 Redação

📸 Paulo Miranda

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