Mais de 3 mil pessoas tiveram que passar por fortes medidas de segurança, que incluíam revistas e detetores de metal, para assistirem a mais aguardada sessão do festival literário BABELL.
Salman Rushdie, aclamado como um dos grandes escritores da literatura contemporânea, é detentor de uma incrível imaginação que explora os campos da religião; migração; identidade; política; história e liberdade, despertou as atenções com a sua participação no evento.
Coube ao ator António Durães iniciar o evento com a leitura de um excerto de uma obra. Logo a seguir o escritor e bibliófilo Alberto Manguel apresenta o convidado e modera a conversa com uma grande maestria, onde cruzou as esferas pública e privada da vida do autor de “Os Versículos Satânicos”.
Recordando o violento atentado de que foi vítima em Nova Iorque em 2022, Rushdie abordou o acontecimento com uma fina camada de humor e resiliência. “Já a vi de perto. Prefiro não morrer“, afirmou perante o público, acrescentando, de forma descontraída, que ainda não se sente pronto para a despedida.
Durante aproximadamente uma hora, o autor discursou sobre o papel da imaginação sob pressão, celebrou o poder da literatura, partilhou reflexões sobre a vida e a morte e arrancou aplausos calorosos e risos de uma plateia visivelmente atenta e emocionada. Uma conversa íntima, divertida e inteligente
Rushdie aproveitou e utilizou referências clássicas como “O Feiticeiro de Oz” e as tragédias de William Shakespeare para ilustrar os mecanismos da sua narrativa. Revelou que “escrever livros é a coisa mais difícil e gratificante que sei fazer”, partilhou histórias de infância, brincando com a coincidência do seu nascimento na Índia: “A minha família tem uma piada: eu nasci e, oito semanas depois, os britânicos fugiram”.
Reunir milhares de pessoas num recinto para falar sobre literatura, num momento onde a sociedade se deixa levar apenas pelo superficial e mediático, demonstra que ainda é possível aproximar as obras literárias ao público e com isso fazer reconquistar o hábito da leitura.
A Cultura é circular e universal, não é apenas propriedade de um determinado grupo ou país, ela deve ser encarada com uma oportunidade de descoberta, partilha, vivencia e aprendizado.
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🖋 📸 Sérgio Pereira


