O segundo capítulo do Bons Sons 2026 continuou a ganhar forma em Cem Soldos com a chegada de Rossana, num daqueles concertos em que a música parece acontecer primeiro por dentro e só depois chegar ao público.
Rossana deixou que a voz conduzisse cada momento, criando uma atmosfera onde as canções podiam ser ouvidas com atenção, sem que a dimensão do festival retirasse importância aos pequenos detalhes.
Havia uma fragilidade assumida em algumas interpretações, mas também uma força que surgia precisamente dessa capacidade de não esconder as emoções. A artista movimentou-se entre diferentes intensidades, fazendo crescer o concerto de forma gradual e permitindo que cada tema encontrasse o seu próprio lugar.
O público foi acompanhando esse percurso com atenção. Alguns já conheciam o universo de Rossana; outros tiveram ali o primeiro contacto com a artista. Para ambos, o concerto encontrou uma linguagem comum: a emoção sem (ou com) exageros e uma vontade evidente de comunicar através da música.
Em vez de transformar o palco num lugar distante, Rossana aproximou-o de quem estava a assistir. A atuação acabou por funcionar como uma das suas maiores forças, criando um ambiente quase íntimo apesar do contexto de festival.
No Bons Sons, onde a descoberta é parte essencial da experiência, Rossana deixou mais do que uma apresentação. Deixou uma impressão — a de uma artista que ainda está a construir o seu caminho, mas que já sabe exatamente como quer ser ouvida.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


