A cantora e compositora cabo-verdiana Rislene lança esta terça feira 2 de junho o seu álbum de estreia. Intitulado “Poi Beat“, o disco chega para consolidar uma trajetória que tem vindo a afirmar-se como uma das mais singulares e marcantes da nova música lusófona, num momento em que a artista é novamente reconhecida pela indústria, com nomeações para Intérprete Feminina do Ano e Hip Hop do ano nos Cabo Verde Music Awards (CVMA) 2026, depois de ter vencido o prémio de Artista Revelação na edição anterior.
O percurso até aqui aconteceu de forma tão inesperada quanto inevitável. Tudo começou quando o artista e encenador Diogo Gazella encontrou por acaso no YouTube um vídeo da Rislene a interpretar o tema “Tristi Vida“. Ficou imediatamente tocado pela letra e pela emoção da música, ao ponto de começar a utilizá-la no final da última cena de uma peça de teatro que tinha escrito. Mais tarde, Ana Moura foi assistir à peça e, ao ouvir aquela voz, quis saber quem era a cantora. Guardou o nome, falou dela ao seu manager e o interesse foi imediato. Pouco tempo depois, chegou o convite para integrar a Sony Music Portugal.
https://youtu.be/HdPjwZc2W7o?si=pk256k-3_EJhxs_M
Quando começou a vir para Portugal, Rislene passou por uma fase de descoberta artística, trabalhando com vários produtores e explorando diferentes sonoridades até encontrar uma identidade realmente sua. Esse caminho consolidou-se através de um trio de produtores, a dupla Migz e Ariel em conjunto com Charlie Beats, de que assina também a mistura e masterização da grande maioria das faixas do álbum e um tema com produção de Easy Dadda.
“Poi Beat” é o resultado de três anos de criação entre Portugal, Cabo Verde e França, e o próprio nome carrega a história do processo. Numa fase inicial, a barreira linguística entre a artista e os produtores dificultava a comunicação. Sem uma língua comum, Rislene recorria a uma expressão simples que todos entendiam.
Era assim que tudo começava: os produtores lançavam o instrumental e a artista respondia a cantar, experimentar e construir em tempo real aquilo que não conseguia explicar por palavras. Com o tempo, a expressão deixou de ser apenas funcional, tornou-se uma brincadeira interna, deu nome ao grupo de WhatsApp do estúdio e acabou por se transformar no título do álbum, um reflexo de um processo criativo feito de intuição, adaptação e conexão através da música.
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