“Fazer o que ainda não foi feito” é lema que Real GUNS leva à letra. Já a menção ao autor desta célebre frase numa das faixas de “Cara Podre 2” é mera coincidência. Ao contrário de todo o seu percurso, em que a consistência do trabalho sempre prevaleceu sobre as vicissitudes do acaso.
Ao sétimo projecto editado num só ano, o rapper luso-são-tomense recupera um capítulo discográfico iniciado em 2025 com “Cara Podre” e estreia quatro novos temas à sua inconfundível imagem.
Em “Cara Podre 2”, Real GUNS tanto volta a seguir uma narrativa partida em dois actos — fê-lo este ano com os dois volumes de SOG e entre London e Lisboa —, como recupera a índole visualmente documental que caracteriza, além do mais, toda a sua música. A rua continua a ser o ponto de convergência transversal a qualquer trabalho de Ovilton Santiago, reportada na plenitude da sua própria vivência com o seu bairro e as suas pessoas novamente em pano de fundo.
Não só tem Real GUNS marcado o hip-hop nacional pela sua identidade distinta — cultivada também com profunda intervenção de MYQUE a nível instrumental ao longo da carreira do rapper, aqui presente como não podia deixar de ser —, mas também se tem destacado como um dos artistas mais profícuos a compor e divulgar música. Sublinhe-se mais uma vez: sete trabalhos discográficos editados só em 2026, com uma série de outros para trás, todos eles reveladores de um MC aguerrido na voz e mordaz na palavra.
Que tem elevado a batuta do rap crioulo ao mais alto nível, sem quaisquer pruridos. Cara podre, mesmo.
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🖋 Redação / press release


