Satha Lovek, estrangeirismo, denominação batismal deste duo de gringos lusitanos, seculares detentores de computadores e melonamania incontível ou, tão simplesmente, a bastardização aglutinadora de “Satha”, rei deposto de “Lovek”, cidade cambojana e catalista de um fabulado 5º Império. PT Malacca, escrito e produzido em 2020, é o seu EP de estreia, editado pelo Coletivo Farra e foi lançado a 26 de Outubro deste ano, produto de tangentes pandémicas, samples remanescentes de partilhas pletóricas feitas à distância de um teclado.
É também uma homenagem distorcida mas sem retorção das Kantigas Di Padri Sa Chang… “procurem-nas e vão perceber”
Em oposição extrema, “Ode to Malacca”, a terceira faixa, submerge o ouvinte na dissolução prolongada de um amuralhado monocórdico, a última réplica de um império arruinado que, após 4 minutos de drone implacável, se transfigura em canção do cisne pautada por notas de piano cintilantes, uma analogia às narrativas históricas vigentes, reluzentes de tão embelezadas, o legado, currículo e propaganda de alegados heróis do mar.


