Por muito que a expectativa aumente, mais valor tem a promessa que leva o seu devido tempo a cumprir-se. E por muito que a expectativa aumente, já ProfJam provou vezes sem conta de que está cá para superá-la. Idealizado há uma mão cheia de anos, “LSD (Love Songs Die)” está por isso finalmente exposto na sua plenitude, com 16 canções inéditas que abrem uma nova dimensão na já multifacetada discografia do artista.
Anunciado nas entrelinhas da edição de “MDID (Música De Intervenção Divina)”, e prenunciado pelos sucessivos singles de experimentação que lhe foram desbravando caminho até “NR6” fechar com chave de ouro essa fase preambular, foi “SOZINHO” que sem aviso prévio abriu oficialmente portas ao alinhamento final de LSD.
Agora, chegado o disco aos ouvidos de quem dele nunca se esqueceu ao longo dos anos, chega-nos também a devida promessa: três mãos cheias de inauditas canções de amor no seu estado mais cristalino.
Novamente com a obra a ter mão da dupla 2LO, a este núcleo de produção composto por Gonçalo Lemos e Leonardo Pinto junta-se ainda uma turma de valiosos produtores — desde MIGZ e Ariel a ANDRÉ À LA PROD, UGYN, Charlie Beats, LCS, Osémio Boémio, Ransom Beatz, Mizzy Miles, Fumaxa e Rubik — enquanto peças decisivas no desenho do espectro sonoro alargado pelo qual LSD navega. Sucessor de MDID, o disco vai assim ainda mais longe no leque de sonoridades até então exploradas por ProfJam: com uma espinha dorsal rítmica de contornos a espaços afro, é na métrica que o maior contraste se evidencia. Por oposição à robustez lírica do seu antecessor, “LSD” não perde essa ginástica na palavra, mas faz do ginásio salão.
Nessa dança a 16 voltas, entram a convite tanto alguns dos mais expectáveis (de Sippinpurpp a LON3R JOHNY) quanto surpreendentes (desde Ana Moura, Ivandro e Plutónio) pares para trocar passos com o protagonista. São também eles que acentuam a tónica definida por Mário Cotrim ao longo de um disco primado pela obstinação na palavra romanceada, um manifesto de resistência em nome do amor ao atravessar tempos que insistem em decretar-lhe um inevitável e precoce fim. Manifesto que se prolonga, aliás, para lá da forma musical: assinada por XZ — parceiro de longa data na concepção visual do universo de ProfJam, novamente responsável também pelos vídeos que acompanham o disco —, a artwork de “LSD” serve de protótipo estético dessa visão, ilustrando, à imagem do próprio som, uma nudez artística entre todas as dimensões através das quais esta obra se manifesta.
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