O legado de Barcelona continua em boas mãos. O espírito do festival voltou a percorrer mais de 900 quilómetros desde a sua sede original para se instalar na sua segunda casa: o Primavera Sound Porto, cuja 12ª edição terminou este domingo 15 de junho. Do Parc del Fòrum ao Parque da Cidade do Porto, ao longo de dois fins de semana consecutivos, estes dois eventos-irmãos — um díptico musical extraordinário, perfeitamente consolidado no circuito europeu de festivais — continuaram a inspirar-se mutuamente em 2025.
Paul Kalkbrenner, Mura Masa, HAAi e Catarina Silva fecharam esta edição antes de o festival regressar no próximo ano. Mais de 110 mil pessoas terão assistido a tudo o que aconteceu no Primavera Sound Porto — um festival que não só preserva a essência universalmente reconhecida do “Criado em Barcelona”, como também a enriquece com os seus próprios traços e nuances.
Assim, a primeira atuação de sempre da imparável Charli XCX em solo português, a coleção dos novos hinos rock dos Fontaines D.C., a sessão hipnótica de dream-pop dos Beach House, o recital de consciência de ANOHNI and the Johnsons, a confirmação de Central Cee como ídolo do rap britânico e a descarga de nu-metal dos Deftones partilharam o palco com artistas nacionais como A garota não, Surma ou Klin Klop.
No total, foram 70 concertos ao longo de quatro dias a renovar o idílio da comunidade Primavera com o Parque da Cidade — um recinto acolhedor, integrado na natureza, que multiplica magicamente qualquer experiência musical graças aos seus quatro palcos perfeitamente distribuídos, além da mais recente adição: o palco Cupra Pulse, um pequeno oásis eletrónico. Ainda assim, o impacto do festival foi muito além da música: os artistas em cartaz puderam exprimir-se livremente em palco para denunciar causas em que acreditam.
O Primavera Sound Porto 2026 já tem datas confirmadas: vai decorrer de 11 a 13 de junho, novamente no Parque da Cidade. Esta será a 13ª edição do festival, que continua a afirmar-se como a extensão natural do espírito “Criado em Barcelona”, mas com identidade própria e cada vez mais enraizada na cena cultural portuguesa.
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? Redação / Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


