Ponto C em Penafiel continua a apostar na diversidade

O segundo trimestre no Ponto C amplia as experiências artísticas em Penafiel, proporcionando teatro, música, dança, circo, ópera, vídeo-arte e exposições. De portas abertas há seis meses, a nova sala do Norte já conquistou a região, fidelizando espectadores e criando novos públicos. Ao longo dos próximos três meses serão realizadas atividades participativas com a comunidade e apresentados 20 espetáculos.

Destacam-se peças com selo do Teatro Nacional D. Maria II, encenadores como Marco Paiva, Cristina Carvalhal e Daniel Gorjão e atrizes de renome como Margarida Vila-Nova ou Carla Bolito. Haverá ainda espaço para clássicos como a ópera Carmen e uma adaptação teatral d’O Lago dos Cisnes; músicos nacionais com longas carreiras como Mão Morta e Tiago Bettencourt; cantautores que são referências internacionais como Joan As Police Woman e Moreno Veloso; e um live streaming nacional para assinalar o Dia Mundial da Dança. As experiências diferenciadas que convidam à participação do público também têm lugar, como um espetáculo-jantar, uma peça intimista para atriz e livro, uma caminhada performativa ou um concerto cuja entrada é um brinde a Fernando Pessoa.

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A 4 de abril chega a Penafiel a peça de teatro “Nau Nau Maria”, uma coprodução com o Teatro Nacional D. Maria II, criada e dirigida por Alice Azevedo partindo da adaptação da História Trágico-Marítima. Relatos de naufrágios mais ou menos atribulados das Descobertas portuguesas, mas que não abdica de referências à cultura, da Odisseia de Homero aos Piratas das Caraíbas. Uma produção Causas Comuns que terá uma sessão para escolas e outra para o público em geral.

Do Teatro da Didascália chega, dia 11, “Comer a Terra – uma peça de teatro-comestível”, um espetáculo-jantar com dramaturgia e encenação de Bruno Martins. Durante o espetáculo, os pratos são preparados ao vivo pelos atores, numa criação da chef Tânia Durão. A mesa torna-se um espaço de confronto onde os ingredientes expõem relações de poder, trabalho precário e exploração invisível. O público é convidado a partilhar: “Venha preparado para comer, mas nem tudo será fácil de engolir!”

A 12 e 13 de abril, “Ela deu-me eu dela recebi”, de Clara Amaral, convida para um espaço de intimidade onde desfilam cinco gerações de mulheres. Focando na sua avó, que não sabia ler nem escrever, a autora parte dos livros como armas de emancipação feminina e conta uma narrativa de sororidade, para apenas 10 participantes de cada vez.

A música regressa ao Ponto C a 13 de abril, com Tiago Bettencourt e o espectáculo “Fio da Navalha”. Em https://www.tiagobettencourt.pt/fio-da-navalha, o público poderá escolher as músicas que quer ouvir no concerto participando, assim, na criação do alinhamento.

O novo disco dos Mão Morta, “Viva La Muerte!”, chega a Penafiel dia 19. Entre o rock e o experimentalismo que os distinguem há 40 anos, voltam a ser sentinelas da liberdade e fazem-no a partir de algumas das maiores referências do nosso passado contestatário, como Zeca Afonso, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira ou Ary dos Santos, que se ouvem num coro masculino. Com letras de Adolfo Luxúria Canibal e música de Miguel Pedro e António Rafael, “Viva La Muerte!” alerta para o perigo dos totalitarismos.

A 26 e 27, “Perdón”, da companhia catalã Losinformalls, em estreia absoluta em Portugal, é uma peça que desafia os limites da criação artística, da dança, do circo e do teatro, criando desconforto, sedução e provocação na relação com o público. Começa com uma rave tecno e termina com amor.

No Dia Mundial da Dança, celebrado a 29 de abril, o palco do Ponto C acolherá a transmissão, ao vivo e em direto do Teatro Camões, de “Coppélia ou a Rapariga de Olhos de Esmalte” pela Companhia Nacional de Bailado. Inspirado na obra Der Sandmann de E.T.A. Hoffmann, é um bailado onde a ilusão e a fantasia se misturam com o humor.

A banda de metal alternativo de Vila Real, In We Fall, apresenta o álbum “Inner self”, a 30 de abril. Um disco conceptual com histórias que falam dos horrores da guerra, do choque da traição e do risco de erguer os punhos contra o mundo. A primeira parte estará a cargo dos Shutter Down, banda de rock de Viseu.

A 2 de maio, a compositora e intérprete norte-americana Joan As Police Woman apresenta o seu mais recente álbum, “Lemons, Limes and Orchids”, onde continua a desafiar os limites da sua expressão artística. Um concerto a solo onde haverá espaço para recordar as canções mais importantes de uma já longa carreira.

Do Brasil chega a Penafiel, dia 11, Moreno Veloso e o seu “Mundo Paralelo”, disco gravado entre Lisboa e o Rio de Janeiro que conta com a participação da família Veloso (Caetano, Maria Bethânia, Zeca e Tom). Através das canções, o músico apresenta uma projeção para um mundo mais feliz, mesmo quando o ambiente ao redor parece desolador.

A 18 de maio, a Orquestra e Grupo Vocal da Ópera na Academia e na Cidade apresenta a ópera “Carmen”, de Georges Bizet, em versão semi-encenada, com direção musical de José Ferreira Lobo e interpretação de Gisela Sachse, Vicent Romero, José Rui Silva, Inês Pinho e Francisca Durão.

No mesmo dia, o Ponto C recebe, pela primeira vez, vídeo-arte. “Carmen Troubles”, de Vasco Araújo, parte da ópera “Carmen” para contar a história da epónima mulher cigana, representada como sendo impulsiva e com um olho no contrabando. Pegando nesse estereótipo, em “Carmen Troubles” um grupo de mulheres ciganas espanholas reivindica o seu próprio espaço.

De 22 a 25 de maio, o Ponto C acolhe o Congresso Internacional sobre o Envelhecimento, organizado pela ANGES – Associação Nacional de Gerontologia Social, cujo objetivo é a promoção de um envelhecimento ativo e bem-sucedido. Além de um intenso programa de palestras e debates, destacam-se espetáculos interpretados pela comunidade sénior de Penafiel, como as “Olimpíadas da Dança”, ou a ele destinados, como “Insónia”, de Roberto Pereira, monólogo com Fernando Mendes.

A discussão da vida contemporânea é ainda mote para um evento inédito, a 30 e 31 de maio e 1 de junho: Coordenadas – Laboratório para o Território pretende iniciar o debate sobre uma visão estratégica de placemaking criativo no espaço urbano de Penafiel, através das artes. A gentrificação e a crescente desocupação dos espaços sociais convocam a necessidade de agir, intervir e qualificar o espaço público em prol do bem-estar da comunidade como um todo. Neste “ano zero” de um evento que será anual, o programa integra conferências, oficinas, networking e os espetáculos “O Tamanho das Coisas”, de Marco Paiva (Terra Amarela) e “Party Time” da Companhia Bergamotto, finalizando com um concerto de S. Pedro. A comemorar uma década de carreira, o cantautor portuense prepara-se para editar novo álbum de originais do qual já são conhecidos os temas “Até a música acabar”, “Tradição”, “Tão Difícil”, “Sem Ninguém” e “Campanhã”.

Dia 5 de junho o Ponto C traz a Penafiel a peça “Quem Cuida do Jardim”, de Cristina Carvalhal. No elenco, Alice Azevedo, Bruno Huca, Carla Bolito e Diogo Freitas debatem a possibilidade de um futuro coletivo perante a extinção da humanidade.

Continuando com teatro, a 14 e 15 chega o multipremiado “À Primeira Vista“, com Suzie Miller e encenação de Tiago Guedes. Neste thriller jurídico, Margarida Vila-Nova conduz uma examinação incisiva sobre poder, lei e consentimento.

As crianças não ficam esquecidas. Para bebés com idades entre os 12 a 36 meses, “O Meu Primeiro Corpo” chega dia 15. Uma aventura multissensorial imersiva, criada por Cátia Pinheiro & José Nunes da companhia Estrutura, convida para um espaço concebido para ser habitado e experienciado pelos mais pequenos.

Da companhia Teatro do Vão, “O Lago dos Cisnes” é apresentado dia 21. Com direção artística de Daniel Gorjão e texto de André Tecedeiro, reescreve para linguagem teatral um clássico do bailado, trazendo para palco diferentes corpos de modo a questionar a ideia de belo, gracioso e etéreo.

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? Redação / press release

? Paola Kudacki

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