Podem os fãs dos Guns N’Roses estarem enganados? Não parece

A polemica não é de agora e sempre que os Guns N’Roses se fazem à estrada o assunto (ou não assunto do ponto de vista dos fãs) sobre a voz de Axl Rose volta à discussão.

Desta vez não foi diferente, se fosse não era assunto para estar aqui a escrever. Os Guns N’Roses fizeram-se à estrada e regressaram a Portugal nesta sexta feira 6 de junho com uma passagem pelo Estádio Cidade de Coimbra.


Formados em Los Angeles em 1985 por Axl Rose, a banda surgiria em 1987 com o seu disco de estreia “Appetite For Destruction” onde se incluía o tema “Welcome To The Jungle” que abriu o concerto em Coimbra.

Sempre personificados na figura icónica de Axl Rose, a banda rapidamente conquistou uma legião de fãs pelo mundo inteiro e Portugal não é excepção como se comprovou ontem pelo Estádio Cidade de Coimbra praticamente esgotado, principalmente por um público adulto e exigente.

Mas o percurso dos Guns N’Roses, como referido sempre personificado na figura de Axl, nunca foi pacifico. Desde as constantes saídas de elementos às críticas ao próprio Axl da forma como tem gerido a sua carreira, a banda sempre ‘caminhou’ debaixo dos holofotes mais sombrios da imprensa que nunca deram tréguas à mesma. Quando Slash, outra figura central do colectivo abandonou Axl em 1996, e Duff McKagan em 1997, vaticinava-se o fim dos Guns, numa altura em que a banda não conseguia apresentar um disco novo para suceder ao mal amado “The Spaghetti Incident?” de 1993 e que precipitou a saída de Slash e McKagan.
De facto, Axl segurou a banda até 2015 e com a edição de um disco de má memoria em 2008, “Chinese Democracy“.

Com o regresso de Slash e Duff McKagan em 2015, a que se junta em 2016 Melissa Reese nas teclas, a banda regressa à estrada, o seu habitat natural, juntamente com Dizzy Reed, Richard Fortus e Frank Ferrer (na bateria), em Coimbra Isaac Carpenterfez a sua estreiaao assumir a bateria da banda.

Em 2025 regressam às grandes digressões, e se a voz de Axl era criticada, em 2025 subiu de tom. A realidade é que passaram 40 anos desde a formação da banda. É verdade que a voz de Axl não é a mesma de 1987, mas a sua essência está lá, não descurando os seus falsetes, por vezes assentes em backing vocals, mas os fãs, esses estiveram lá e não deveriam estar enganados para praticamente esgotar o estádio.

Voltando ao concerto de Coimbra, ao longo de 3 horas, os Guns N’Roses apresentaram um alinhamento de 29 temas que retratam da melhor forma uma carreira de 40 anos com os seus altos e baixos em termos de edições. Se “Welcome to the Jungle” abriu a noite, logo a seguir “Chinese Democracy” navegou por águas mais sombrias na carreira dos Guns.

Estrategicamente colocadas no alinhamento, as canções ícones da banda surgiam no meio de temas menos vividos pelo público. “Live and Let Die”, escrito por Paul McCartney para os Wings foi o primeiro grande momento da noite.

Curiosamente o segundo grande momento foi com mais um cover, desta vez o intemporal de Bob Dylan “Knockin’ on Heaven’s Door”, levando ao rubro os fãs que tinham ocupado todo o espaço possível no relvado do Estádio.

Se Axl é a figura principal da banda, Slash destacava-se ao longo do concerto culminado com o seu solo de guitarra que serviria de entrada para o ovacionado “Sweet Child o’ Mine“. Pelo meio ficavam mais um conjunto de covers, “Slither” dos Velvet Revolver e “New Rose” dos The Damned.

Para o “encore” (que não existiu da maneira mais clássica), abriam-se as portas à melancolia e ao acústico com “November Rain” seguindo-se “Wichita Lineman”, um original de Jimmy Webb e “Down on the Farm”, dos britânicos UK Subs.

O final e como Axl referiu, foi um regresso às origens e “Nightrain” ilustrou esse flashback até 1987 seguindo-se “Paradise City” até ao ano de 1989.

Um alinhamento assente nos primeiros anos da carreira dos Guns que navegou entre 1986 e 1991, com uma incursão a 2008 com “Chinese Democracy”, logo na abertura da noite, e que deixou de lado o mal amado “The Spaghetti Incident?”.

No final e apesar da voz de Axl não ser a mesma dos anos 80/90, os fãs não estavam mesmo enganados, foi mesmo um concerto dos Guns N’Roses que tinha acabado de acontecer.

Os Guns N’Roses não autorizaram a recolha de imagens do concerto.

Alinhamento:

Welcome to the Jungle

Chinese Democracy

Bad Obsession

Out ta Get Me

Mr. Brownstone

Slither

Live and Let Die

Estranged

Absurd

Double Talkin’ Jive

Knockin’ on Heaven’s Door

Hard Skool

You Could Be Mine

Rocket Queen

Better

Coma

New Rose

It’s So Easy

Slash Guitar Solo

Sweet Child o’ Mine

Civil War

November Rain

Wichita Lineman

Patience

Don’t Cry

Used to Love Her

Down on the Farm

Nightrain

Paradise City

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? Sandra Pinho

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