Placebo abriram a celebração dos 30 anos no Porto com uma viagem às origens

Na passada segunda-feira, 28 de setembro, a Super Bock Arena, no Porto, transformou-se num ponto de encontro entre passado e presente. Três décadas depois do lançamento do álbum que apresentou os Placebo ao mundo, a banda britânica escolheu Portugal para dar início à Placebo 30th Anniversary Tour, uma digressão europeia de 36 datas dedicada aos primeiros anos do grupo.

Antes da chegada dos Placebo, coube a Elisabeth Elektra preparar o ambiente para uma noite que prometia ser diferente. A artista assumiu a primeira parte do espetáculo, abrindo caminho para o regresso de uma das formações mais marcantes do rock alternativo britânico.

Quando as luzes se apagaram, a expectativa tomou conta da Super Bock Arena. Brian Molko e Stefan Olsdal entraram em palco para uma atuação construída em torno das origens dos Placebo, recuperando sobretudo material dos dois primeiros álbuns, “Placebo “(1996) e “Without You I’m Nothing “(1998). O alinhamento incluiu ainda temas que a banda não apresentava ao vivo há mais de duas décadas.

A ideia de “Placebo RE” esteve no centro desta celebração. Mais do que simplesmente recuperar canções antigas, o projeto propõe uma nova leitura daquele primeiro capítulo da história da banda. É uma forma de revisitar o ponto de partida sem tentar reproduzir exatamente aquilo que aconteceu há 30 anos.

E essa diferença sentiu-se no concerto. As canções que ajudaram a definir a identidade dos Placebo surgiram perante uma plateia que conhecia cada mudança, cada refrão e cada silêncio. “Pure Morning”, “Teenage Angst”,” 36 Degrees”, “Without You I’m Nothing”,” Nancy Boy” e “Every You Every Me” fizeram parte de uma noite profundamente ligada ao início da trajetória do grupo.

Mas o concerto também olhou para além da nostalgia. A banda incluiu “HELEN KELLER”, apresentada ao vivo pela primeira vez, mostrando que esta celebração dos 30 anos não significa ficar exclusivamente presa ao arquivo. O passado serve como ponto de partida, mas continua a existir espaço para acrescentar novas páginas à história.

Um dos elementos mais particulares da noite aconteceu longe da música. Os telemóveis não deveriam ser utilizados para filmar o concerto, uma decisão que procurou devolver ao espetáculo uma dimensão mais presente e menos mediada por ecrãs. A organização e a própria banda tinham deixado esse pedido claro, e Brian Molko reforçou-o em palco perante situações em que alguns espectadores continuaram a filmar.

Num tempo em que grande parte dos concertos acaba transformada em dezenas de pequenos vídeos para as redes sociais, os Placebo optaram por outra experiência: estar ali, naquele momento, sem a necessidade de o transformar imediatamente em conteúdo.

Foi também uma noite de versões. No encore, os Placebo revisitaram “I Feel You”, dos Depeche Mode, e encerraram com “Running Up That Hill (A Deal With God)”, de Kate Bush, acrescentando outras referências à viagem musical que atravessou o concerto.

No Porto, os Placebo não celebraram apenas 30 anos de carreira.

Celebraram uma identidade.

Uma banda que nasceu em 1996, que marcou profundamente o rock alternativo britânico e que continua a encontrar novas formas de olhar para as próprias canções.

A Super Bock Arena foi o primeiro palco desta nova viagem.

E, durante uma noite, o relógio pareceu recuar três décadas — não para repetir o passado, mas para o voltar a ouvir com os ouvidos de quem já sabe tudo aquilo que aconteceu depois.


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🖋 Diana Silva

📸 Sérgio Pereira

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