Ontem, dia 13 de abril, o Coliseu do Porto recebeu um filho da cidade, um ícone da música portuguesa, Pedro Abrunhosa e os seus magníficos convidados.
Já assisti a vários concertos de Pedro Abrunhosa, desde 1994, quando saiu o seu primeiro trabalho, “Viagens’, em conjunto com os Bandemónio, um grupo de músicos constituído, exclusivamente, por alunos seus, e nenhum dos concertos foi igual… O álbum, “Viagens”, atingiu um patamar de vendas até então nunca alcançadas em Portugal.
E a viagem de Pedro Abrunhosa continuou, com outros músicos, a dar que falar.
Até hoje continua a esgotar Coliseus, e as maiores salas de espetáculos do país. Para quem não sabe, o cantor/compositor é um erudito da música, com formação musical e trabalho com grandes nomes da música, estrangeiros e nacionais, antes do seu primeiro grande sucesso.
Ontem, apresentou-se em palco, com os Comité Caviar, Patricia Antunes e Patrícia Silveira e os Camponeses de Pias.
O concerto teve início com o tema “A.M.O.R.”, a sua religião, a sua fé. De salientar que todos os temas, tão bem conhecidos do público, que lotou o Coliseu do Porto, estavam vestidos com uma nova roupa musical.
Os temas que sabemos de cor e salteado, “Momento”; “Fazer O Que Ainda Não Foi Feito”; “Leva-me P’ra Casa”; “É Preciso Ter Calma”, entre tantos outros, pareciam temas novos, com a participação das excelentes vozes das duas Patrícias, e com os Camponeses de Pias. Os temas, interpretados com o canto alentejano foram magníficos, os temas ficaram completamente diferentes, foi tão diferente, tão fora da caixa. Cultural é isto, é a diversidade, é a diferença. Um país tão pequeno como o nosso tem uma diversidade cultural extraordinária.
Pedro Abrunhosa não fala muito durante os concertos, apresenta os músicos que o acompanham, e fala sobre um, ou outro tema, mais precisamente o que esteve na origem da sua escrita.
Destaco todo o concerto em si, porque assistir a um concerto deste grande senhor da nossa música é sempre algo especial, mas este destacou-se pela diferença, pela diversidade e sonoridade diferentes.
Não posso deixar de destacar o tema “Leva-me P’ra Casa”, pelo que está na base da sua escrita, há adjetivos para descrever uma mulher, ou um homem que perdem o seu cônjuge, há adjetivos para denominar aqueles que perdem um filho(a), mas não há adjetivos que definam os pais que perdem os filhos. Este tema foi escrito porque o cantor tem cerca de quatro amigos que perderam os filhos, e assistiu de perto a esse sofrimento, que é quase contra natura.
Destaco os temas “Hallelujah”, “Não Posso Mais”; “Socorro”; “Ilumina-me”, em que o público acendeu as lanternas dos telemóveis e cantou a par com o músico e sozinho.
Já no encore, os temas “Para Os Braços Da Minha Mãe”; e como não podia deixar de ser, “Tudo O Que Eu Te Dou”.
Não posso deixar de referir, também no encore, os dois temas, “Lavoura”; “Alentejo, Alentejo”, interpretados pelos Camponeses de Pias, que foi excelente.
No fundo, foi um concerto diferente de Pedro Abrunhosa, que surpreendeu pela diferença, pela positiva, por ouvir músicas que conhecemos tão bem, mas que com roupa de outra cor ficam quase irreconhecíveis.
O público levantou-se por diversas vezes para aplaudir de pé. O músico agradeceu o facto de termos saído do conforto do nosso lar, para estarmos ali, “vir a um concerto é um profundíssimo ato político”.
Parabéns pelo magnífico concerto, que colocou um enorme sorriso na cara das pessoas que assistiram, e que à saída originou uma série de comentários, dos que ouvi, todos positivos.
A não perder.
Reportagem: Ana Cristina
Fotografias: Carlos Sá











