Ontem, dia 24 de novembro de 2025, uma noite bastante fria, o Coliseu Porto foi palco de uma atuação única.
A “Voz do Samba”, Alcione, ou Marron, incendiou o recinto com a sua voz magnífica e extraordinária.
Cantou o primeiro tema da noite, “Pra Que Chorar”, ainda em pé, mas depois acabou por realizar o resto do concerto sentada, devido a uma cirurgia na coluna. Nas suas palavras, agora “sou uma mulher biónica”. É surpreendente como o alcance e tom vocal continua igual, mesmo estando sentada. Mas, para mim, o mais surpreendente, é como alguém com 78 anos de idade, continua a cantar como se o tempo não tivesse passado. O alcance vocal é incrível.
Todo o concerto foi muito dinâmico, o Coliseu encheu, logo o público acompanhou as músicas, a cantar e a sambar.
É fantástico, mas sempre que assisto a um concerto de um artista brasileiro, a música entranha-se de tal forma, que o corpo não consegue manter-se quieto. É uma alegria, o som dum conjunto de instrumentos, e uma forma de estar em palco, que contagia. No caso da Alcione, mesmo sentada num cadeirão, a beber café e água, sem dançar, só com a sua voz fora de série, o público mesmo sentado a assistir, não ficava quieto no lugar, levantava os braços, baloiçava-se, extraordinário.
O público presente neste concerto era adulto, brasileiros e muitos portugueses da “velha guarda”, ou seja os apreciadores da “verdadeira” música brasileira.
Destaco os temas, por uma questão de gosto pessoal, “Faz Uma Loucura Por mim”; “Juízo Final”; “Foi Deus”; “Umbi Umbi”; “Você Me Vira A Cabeça”; “Não Deixa O Samba Morrer”, entre tantos outros.
A “Dama do Samba” cantou um fado em homenagem a Portugal.
Assisti a inúmeros concertos de artistas brasileiros, mas a um concerto da Alcione foi a primeira vez, vim maravilhada, feliz, com o ritmo e as músicas na cabeça.
Sinto-me uma pessoa privilegiada por poder assistir a uma grande variedade de concertos, de diferentes artistas, de diferentes nacionalidades, de diferentes tipos de música, porque a música é poesia cantada, é cultura, e como tal transporta diferentes tipos de vivências, sentimentos, histórias de vida.
Uma canção é um poema, um concerto é a leitura de um livro!
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? Ana Cristina
? Sérgio Magalhães


