Nesta nova criação, o Teatro da Garagem debruça-se sobre um dos maiores clássicos do teatro do absurdo para recuperar uma inquietação que julgávamos histórica e descobri-la perigosamente actual.
Em palco, Dai Ida, Pedro Lacerda, Rita Loureiro e Rui Maria Pêgo sustentam, com o corpo e a voz, esta fábula inquietante sobre a transformação colectiva e a erosão silenciosa do pensamento crítico. Quatro presenças que resistem à metamorfose enquanto o palco à sua volta cede.
Numa cidade banal, as pessoas começam a transformar-se em rinocerontes. Um a um. Depois quase todos.
A metamorfose deixa de ser excepção e instala-se como norma.
É o elenco que habita esse limiar como figuras que ainda reconhecemos como humanas e, por isso, carregam dúvida, hesitação, cumplicidade, covardia. O que os torna inquietantes não é o que se transforma. É o que resiste e como.
Nesta reinterpretação, a encenação de Carlos J. Pessoa constrói um espaço instável, onde a transformação deixa de ser metáfora distante para se tornar processo visível. Já a dramaturgia de Cláudia Madeira, afina o texto de Ionesco com as vibrações do presente, sublinhando a fluidez das identidades, a fragilidade das convicções e a velocidade com que o que damos por adquirido pode ser perdido.
O RINOCERONTE estreia a 12 de março e vai estar em cena até 22 de março no Teatro Taborda em Lisboa.
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🖋 Redação / press release
📸 Carlos Porfírio


