O mundo cruza-se na 52.ª edição do FIME – Festival Internacional de Música de Espinho

De 19 de junho a 31 de julho, a 52.ª edição do FIME – Festival Internacional de Música de Espinho regressa para consolidar o seu estatuto como um dos festivais mais relevantes e ecléticos da Península Ibérica. Ao longo de seis semanas, a cidade será o palco de 15 espetáculos que cruzam geografias, épocas e estilos, reunindo músicos de topo de países como Alemanha, Argentina, Arménia, Áustria, Brasil, Espanha, EUA, Finlândia, França, Portugal, Rússia e Tunísia.

Sob o signo da diversidade estética e da inovação, a programação deste ano divide-se entre o Auditório de Espinho (AdE), a Praça Dr. José de Oliveira Salvador (em frente à Câmara Municipal) e a Igreja Matriz, oferecendo uma programação que atravessa geografias, épocas e estilos.

Entre os grandes destaques da programação, a vertente sinfónica assume um papel central na Praça Dr. José de Oliveira Salvador. A abertura oficial acontece a 19 de junho, às 21h30, com o concerto “Uma cena, uma música, um filme”, onde a Orquestra Clássica de Espinho (OCE), sob a direção de Cesário Costa e com o comentário e apresentação do jornalista Mário Augusto, transforma a praça num cinema ao ar livre através de bandas sonoras imortais de John Williams, Ennio Morricone, John Barry e Henry Mancini. O encerramento do festival, a 31 de julho, caberá à OCE, que se junta ao icónico acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen para apresentar “UNIKO”, uma obra vanguardista de grande intensidade que expande os limites do instrumento através da tecnologia, originalmente encomendada pelo Kronos Quartet.

A música clássica e o romantismo de excelência ganham também espaço logo a 20 de junho, no AdE, com a prestigiada Real Filharmonía de Galicia. Dirigida por Baldur Brönnimann e tendo como solista o violoncelista pelo violoncelista Marco Pereira, a orquestra apresenta “Mar ao Nord“, viajando do virtuosismo melancólico de Edward Elgar ao romantismo nórdico de Jean Sibelius. Segue-se, a 27 de junho, no AdE, um recital de exceção pela pianista Elena Bashkirova e o violinista Michael Barenboim, dedicado às paisagens oníricas de Schubert e Schumann. Já a 17 de julho, o AdE foca-se no oboé com o oboísta principal da Orquestra Filarmónicade Berlim, Albrecht Mayer,e o FIME Ensemble, num concerto luminoso que viaja de Bach a Mozart e Mendelssohn. O piano volta a ser rei a 24 de julho, com o recital da extraordinária pianista Elisabeth Leonskaja, autoridade mundial na obra de Franz Schubert, que um programa integralmente dedicado àquele compositor, onde se inclui a monumental Wanderer-Fantasie.

O jazz e as músicas do mundo sem fronteiras afirmam-se igualmente como pontos de paragem obrigatória. O jazz vanguardista faz-se ouvir a 11 de julho, no AdE, com Steve Coleman e os Five Elements, seguido, no dia 12, por um concerto ao final da tarde na Praça, onde a Orquestra de Jazz de Espinho convida o saxofonista norte-americano Joe Lovano, vencedor de Grammys e referência viva do género. Os sons do Brasil e da América Latina chegam mais cedo, a 4 de julho, com um fim de tarde de entrada livre na Praça protagonizado pelo histórico compositor Toninho Horta e a sua sofisticação harmónica de Minas Gerais. Mais tarde, a 10 de julho, o concerto “Saga” junta no AdE o bandoneonista argentino Martín Sued e a sua Orquestra Assintomática ao virtuoso do violão de sete cordas Yamandu Costa, num diálogo vibrante nomeado para os Grammys Latinos. A exploração global continua a 18 de julho com o tunisino Anouar Brahem, mestre do alaúde árabe, que apresenta o álbum “After the Last Sky” com um quarteto de luxo composto por Django Bates, Anja Lechner e Mats Eilertsen, e a 23 de julho com o fenómeno do piano Tigran Hamasyan, que traz a Espinho Manifeste, o seu mais recente trabalho que funde a tradição arménia, o jazz e a eletrónica.

Por fim, o festival abre portas a repertórios históricos e raridades musicais, começando a 2 de julho, na Igreja Matriz, onde o Ensemble Bonne Corde apresenta o Requiem de Mozart numa versão oitocentista raríssima, conservada na Catedral de Évora e adaptada à realidade das instituições religiosas portuguesas da época. No dia seguinte, 3 de julho, o AdE acolhe o agrupamento vienense Radio String Quartet para uma releitura iconoclástica e contemporânea do virtuosismo barroco de Bach e Vivaldi. A fechar esta linha de programação histórica, a 25 de julho, o músico Tiago Matias apresenta um recital de guitarra barroca focado no Codex Gulbenkian, desvelando os pontos de contacto e os contrastes entre a música europeia do século XVII e as sonoridades atlânticas e africanas.

__________________________________________________________________________________________________________________________

🖋 Redação / press release

Partilha