Nesta coleção “ERRO”, Susana Bettencourt apresenta uma celebração radical da imperfeição — uma fusão poderosa entre herança e inovação, controlo e caos, memória e erro. Deconstruindo as Origens – “NO MEU ERRO, EU BRILHO” é mais do que uma coleção: é um manifesto pela resiliência, uma ode ao erro como força criativa absoluta.
Neste trabalho, Susana Bettencourt mergulha na essência da sua identidade criativa. Desconstrói os códigos geométricos e a linguagem gráfica que há muito definem a marca para explorar o que está por baixo — questiona o que o mundo vê, o que lhe foi legado, e como tudo isso evolui com o tempo. Dentro dest- brincadeira de memória coletiva, os arquétipos familiares da moda são desmontados e reconstruídos, permitindo que formas herdadas renasçam através de uma lente contemporânea e disruptiva.
A tradição cruza-se com a inovação: técnicas de legado como a renda de bilros e o croché entram em diálogo direto com o jacquard digital e a precisão do design gráfico. O resultado é um terreno híbrido onde a memória artesanal colide com a invenção algorítmica — onde o erro deixa marcas visíveis e se transforma em método. O processo da malha, tantas vezes invisível, expõe- se aqui como um ato honesto, imperfeito e profundamente humano de fazer. Nesta estação, Bettencourt dá protagonismo ao erro. A malha que cai, a falha mecânica, o fio que resiste — tudo se torna ponto de partida para o inesperado emergir.
Inspirada na persistência de quem falha e continua, a criadora refere: “Esta coleção ERRO é uma ode aos que se enganam. É um celebrar de toda a criatividade que provém do erro e do quanto é possível aprender na tentativa e erro constante. A resiliência faz a excelência.”
Nas suas mãos, o erro transforma-se em brilho — metáfora e matéria-prima ao mesmo tempo. “ERRO” lembra-nos que a moda não é perfeição, mas processo. Que cada passo em falso transporta em si uma revelação.
Que a excelência não nasce da fuga ao fracasso, mas sim da sua transformação. É uma coleção de resiliência, vulnerabilidade e verdade — onde a história do fazer encontra a coragem de recomeçar.
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? Redação
? Paulo Homem de Melo


