O segundo dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 ganhou uma nova tonalidade quando Kurt Ville & The Violators chegaram ao palco. Depois do universo quase paralelo criado por Aldous Harding, o festival mergulhou novamente num território de guitarras, mas desta vez através de uma atmosfera mais densa, hipnótica e profundamente arrepiantes.
Kurt Ville não precisou de grandes gestos para prender Coura. A sua presença descontraída contrastou com a intensidade que vinha da música, criando um daqueles concertos em que a força não está necessariamente no que se vê, mas sobretudo naquilo que se sente.
As guitarras foram desenhando camadas sobre camadas, alternando entre momentos mais contidos e explosões sonoras capazes de atravessar o recinto. The Violators funcionaram como uma extensão perfeita desse universo, dando às canções uma dimensão mais ampla e criando uma parede sonora que envolveu progressivamente o público.
Havia qualquer coisa de hipnótico naquela combinação. Os temas avançavam sem pressa, deixando que cada textura se instalasse, até que a música parecia tomar conta do espaço por completo. O resultado foi um concerto que se sentiu tanto no corpo como nos ouvidos.
Cada música tinha o seu próprio tempo e, quando as guitarras ganhavam força, a resposta chegava naturalmente.
Foi precisamente essa capacidade de construir tensão que tornou o concerto tão arrepiante. Kurt Ville & The Violators conseguiram criar momentos de enorme intensidade sem nunca perder a identidade descontraída que caracteriza o seu universo musical.
Em Coura, as canções ganharam uma dimensão quase cinematográfica. As guitarras pareciam desenhar paisagens, a bateria mantinha tudo em movimento e a voz de Kurt Ville surgia no centro desse cenário com uma tranquilidade que tornava tudo ainda mais envolvente.
Depois de um dia já marcado por diferentes atmosferas, Violators trouxeram mais uma mudança de direção. Foi um concerto arrepiante não porque precisasse de assustar, mas porque soube exatamente como fazer a música percorrer a pele.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


