No segundo dia do Primavera Sound Porto, Baxter Dury entra em palco como quem chega atrasado a uma festa da qual já é o protagonista.
No festival, o músico britânico trouxe ao Parque da Cidade a sua habitual combinação de elegância descontraída, humor mordaz e uma sofisticação musical que parece desafiar qualquer tentativa de catalogação. Entre o pós-punk, a spoken word e o pop mais peculiar, Dury apresentou um concerto que foi simultaneamente um espetáculo musical e um exercício de carisma.
Desde o primeiro tema, ficou claro que a sua presença em palco continua a ser uma das mais singulares da música contemporânea. Com a postura de um anti-herói moderno e uma confiança quase cinematográfica, Baxter Dury conduziu o público por um repertório onde o sarcasmo, o romantismo e a observação social convivem sem esforço.
Mais do que cantar, Dury parece narrar pequenas cenas de um filme imaginário, onde personagens excêntricas, noites intermináveis e amores imperfeitos ocupam o centro da ação.
E, como acontece com as melhores histórias, ninguém queria que terminasse tão cedo.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


