Milhanas no Vodafone Paredes de Coura 2026: num concerto calmo, íntimo e intenso

O segundo dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 começou sem pressa. Depois de uma primeira jornada que terminou em alta rotação com Kneecap, Milhanas surgiu no palco para mudar completamente a temperatura do festival. A cantora portuguesa abriu o segundo capítulo com um concerto calmo, íntimo e intenso, onde a emoção encontrou espaço para respirar.

Desde os primeiros momentos, percebeu-se que não seria preciso volume para prender a atenção de Coura. A voz de Milhanas assumiu o centro da atuação e conduziu o público por um repertório marcado pela sensibilidade, pela força interpretativa e por uma forma muito própria de transformar vulnerabilidade em presença.

A plateia recebeu-a num registo particularmente atento. Em vez da agitação habitual de um início de dia de festival, instalou-se uma espécie de silêncio cúmplice, quebrado apenas pelos aplausos entre as canções. Era como se o recinto tivesse decidido começar novamente, desta vez num ritmo mais próximo.

Um dos momentos mais especiais aconteceu quando Milhanas interpretou “Guarda-me Esta Noite”, de Valter Lobo. A escolha ganhou uma dimensão ainda mais especial pela relação do músico com o próprio festival. A última presença de Valter Lobo no Vodafone Paredes de Coura tinha acontecido em 2024, quando atuou a 14 de agosto na Praia Fluvial do Taboão.

Dois anos depois, a sua música regressou ao festival através de outra voz. Milhanas deu a “Guarda-me Esta Noite” uma interpretação marcada pela intimidade e pela emoção, criando uma espécie de ponte entre diferentes edições de Coura e entre dois universos artísticos distintos.

A canção pareceu suspender o tempo por alguns instantes. Entre a voz de Milhanas e a atenção de quem a escutava, o palco transformou-se num espaço de partilha, onde a distância entre artista e público parecia desaparecer.

Milhanas abriu assim o segundo dia de Coura com uma proposta diferente da energia que tinha encerrado a jornada anterior. Trouxe proximidade onde antes havia explosão e mostrou que um festival também se pode começar de olhos fechados, a ouvir.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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