Miles Kane uma descarga elétrica de rock’n’roll com classe britânica

Miles Kane regressou a Portugal e passou pelo Hard Club na passada sexta feira 13 de fevereiro.

Há artistas que sobem ao palco para tocar canções — e há artistas que sobem ao palco para incendiar uma sala inteira. Miles Kane pertence, sem hesitação, à segunda categoria. O seu concerto foi uma demonstração feroz de carisma, técnica e puro instinto rock’n’roll, daqueles que lembram porque a música ao vivo continua a ser um território de adrenalina e comunhão.

Miles surgiu em palco com a confiança de quem já percorreu todos os palcos possíveis — e continua a divertir‑se como se fosse a primeira vez. Guitarra em punho, olhar decidido, postura impecável: bastaram os primeiros segundos para perceber que a noite seria intensa. A sala respondeu com entusiasmo imediato, como se estivesse à espera daquele primeiro riff para explodir.

Ao vivo, Miles Kane é um performer completo. A voz quente, rasgada, sempre no ponto atravessa a sala com uma naturalidade impressionante. A guitarra, essa, é extensão do corpo: riffs afiados, solos cheios de estilo, ritmos que fazem o chão tremer. Há nele uma elegância old‑school misturada com uma energia punk que o torna irresistível de ver e ouvir.

A banda que acompanha Miles Kane é mais do que competente — é cúmplice. Há uma química evidente, uma comunicação silenciosa que permite que tudo soe orgânico, vivo, urgente. Nada é excessivamente polido; tudo é entregue com a dose certa de suor e atitude.

Se Miles Kane é um performer incansável, o público foi o seu combustível. Houve saltos, houve braços no ar, houve vozes que se perderam no meio da multidão. A energia era tão densa que parecia quase física. E Miles, sempre atento, alimentou‑se dela, devolvendo‑a multiplicada.

O concerto terminou com a mesma intensidade com que começou: alto, suado, inesquecível. Miles Kane provou, mais uma vez, que é um dos grandes entertainers da sua geração — um artista que domina o palco com uma mistura rara de classe, irreverência e paixão. Saímos da sala com os ouvidos a zumbir e a sensação deliciosa de ter assistido a um verdadeiro espetáculo de rock’n’roll.

A primeira parte do concerto ficou a cargo de Gui Aly.

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🖋 Diana Silva  

📸 Paulo Homem de Melo

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