Mercury Rev fizeram do Hard Club um lugar entre o sonho e a realidade

Na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, o Hard Club, no Porto, recebeu os Mercury Rev para uma viagem musical onde o tempo pareceu perder importância. A banda norte-americana regressou a Portugal para assinalar os 25 anos de “All Is Dream”, num concerto dedicado a um dos discos fundamentais da sua transformação artística e da sua afirmação no rock alternativo.

Vindos de Buffalo, Nova Iorque, Mercury Rev começaram por construir uma identidade ligada à experimentação e ao ruído, antes de encontrarem uma linguagem cada vez mais cinematográfica, orquestral e emocional. Essa transformação tornou-se particularmente evidente a partir de “Deserter’s Songs”, em 1998, preparando o caminho para “All Is Dream”, editado três anos depois.

No Hard Club, esse universo ganhou uma dimensão quase física. As canções não se limitaram a ser reproduzidas: foram criando ambientes, imagens e sensações, como se cada passagem pudesse abrir uma nova paisagem diante do público.

Jonathan Donahue e Grasshopper continuam a ocupar o centro de uma identidade construída ao longo de mais de três décadas, mas a força dos Mercury Rev está precisamente na capacidade de fazer com que a música pareça maior do que os seus próprios intérpretes.

“All Is Dream” serviu naturalmente como eixo da noite. Um álbum que, quando surgiu em 2001, já parecia habitar um território próprio entre o rock psicadélico, a pop de dimensão orquestral e uma certa melancolia difícil de traduzir em palavras. Vinte e cinco anos depois, essas canções não soam como peças de museu: continuam a respirar.

Temas como “The Dark Is Rising” e “Nite and Fog” carregam essa característica quase cinematográfica, onde a fragilidade pode rapidamente transformar-se em grandiosidade. No palco, essa dualidade ganhou nova força, com a banda a construir uma experiência em que os momentos mais delicados e os mais intensos coexistiram naturalmente.

Mais do que uma celebração de aniversário, o concerto no Porto funcionou como uma revisitação de uma linguagem artística que continua a desafiar classificações simples. Os Mercury Rev nunca foram apenas uma banda de rock psicadélico, nem apenas uma banda de dream pop. Existe no seu percurso uma vontade permanente de criar mundos, e foi precisamente isso que aconteceu no Hard Club.

A sala tornou-se, durante aquelas horas, um espaço suspenso entre memória e descoberta. Para quem acompanhou a banda desde os seus primeiros anos, houve o reencontro com uma obra que marcou uma época. Para quem chegou mais tarde, existiu a oportunidade de perceber porque é que determinadas canções continuam a resistir ao passar do tempo.

Depois de terem passado por Lisboa no dia anterior, os Mercury Rev fecharam em Portugal esta passagem de dois concertos dedicada aos 25 anos de “All Is Dream”.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo 

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