Os Ão editam esta sexta feira 13 de fevereiro “Malandra”, o seu segundo ábum de originais, um trabalho mais denso, mais físico e emocionalmente mais exposto, que sucede a “Ao Mar”, o disco de estreia lançado em 2023.
“Malandra” é uma palavra ambígua, tal como o disco que nomeia. Os Ão descrevem-na como “uma mulher que avança pela vida com humor, inteligência e charme, seguindo os seus desejos e dobrando as regras quando necessário. Livre e lúdica, mas também astuta e contraditória, é alguém que aceita as suas sombras sem abdicar da própria verdade”.
“Malandra” é um álbum de contrastes. As canções oscilam entre o acolhimento e a ameaça, entre a ternura e o confronto. O som expande-se: torna-se mais rítmico, mais sensual, por vezes mais cru. A respiração é mais funda, o pulso mais urgente. Há espaço para o silêncio e para o excesso, para a fragilidade e para o impacto.
Cada faixa do álbum encarna uma personagem, figuras que ganham rosto no universo visual do disco e que foram tomando forma ao longo dos anos. Há a melancolia de Orgulho, a dúvida que arde em Talvez, a paisagem de sofrimento de Cinza ou a fuga inquieta de Cada Vez, marcada por passos de milonga instável. Os ritmos febris de “Aren’t You Tired” convivem com a persistência paciente de Volta. O álbum abre com “Me Condena”, onde a malandra se coloca em julgamento e desafia o ouvinte a fazer o mesmo: “condena-me”.
O disco nasceu em movimento, entre digressões, países e versões da própria banda. O processo criativo dos Ão nunca é linear: as canções emergem de acordes esquecidos, jams improvisadas, fragmentos de texto, acidentes felizes, gravações captadas ao acaso. Essa abertura à serendipidade traduz-se numa produção rica e num leque alargado de instrumentos (charango, bandoneón, tiple, metais, sintetizadores, cuíca), sempre ao serviço do impacto emocional, nunca do virtuosismo gratuito.
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🖋 Redação / press release
📸 Alexander Popelier


