mala voadora apresenta Old Cock em Nova Iorque

Após a estreia e circulação por várias cidades em Portugal, OLD COCK, da mala voadora, retorna agora à sua língua de origem e apresenta-se no festival Under The Radar, em Nova Iorque.

A peça, escrita pelo norte-americano Robert Schenkkan, é interpretada por Jorge Andrade que personifica uma das figuras mais icónicas de Portugal: o Galo de Barcelos. Decorre de 8 a 19 de Janeiro, no 59E59 Teathers.

Em OLD COCK, a misericórdia do galo relativamente ao estrangeiro é-lhe retribuída também por um estrangeiro – um dramaturgo. Resgata-se assim a dimensão ética do Galo de Barcelos. O convite a Schenkkan resultou também da nossa vontade de ecoar a conexão histórica entre a propaganda do Estado Novo e os EUA: um dos momentos que mais inspirou António Ferro na sua missão de inventar uma iconografia para o Portugal nacionalista foi a visita que fez aos estúdios de Hollywood. Viu ali como a ficção pode tornar-se convincente através da sua materialização. O mesmo podia ser feito por cá: cenários capazes de constituir a evidência material de uma História de Portugal ficcionada.

OLD COCK conta a história deste Galo desde a sua origem mítica. Interpretado por Jorge Andrade, o Galo foi morto e depenado, em frente a toda a capoeira, para ser assado; levantou-se da travessa onde estava a ser servido para, num milagre, reivindicar a inocência de um estrangeiro erradamente considerado criminoso; transformou-se assim num símbolo de justiça, protetor dos inocentes; e acabou, pelas mãos de António Ferro, novamente cheio de plumagem exuberante, mas desta vez de um decorativismo duvidoso, com cornucópias e corações. Este solilóquio é interrompido pelo próprio inventor do Estado Novo – António de Oliveira Salazar – que, posto a falar através da manipulação digital da sua imagem, tentará menosprezar a figura do Galo.

Mas em vão. O Galo confronta Salazar com a falsidade das glórias nacionalistas que inventou. Se Salazar inventou uma História para Portugal, a verdade é que o Galo sobreviveu a essa História e, agora, insurge-se contra o facto de ter sido posto ao serviço de uma “portugalidade” com a qual, na verdade, não se identifica.

O velho Galo é, aqui, um revoltado animal antifascista que, fazendo jus ao seu estatuto de justiceiro, reivindica a verdade da História como condição essencial para a construção da democracia.

Sobreviveu ao 25 de Abril e quer aproveitar a sua longevidade para ser mais do que um sucesso turístico e toma como missão livrar-nos definitivamente da herança salazarista: o nacionalismo, o pensamento colonialista e toda a alienação que visa o apaziguamento da determinação popular.

OLD COCK estreou em Maio de 2024, no Porto, com o título cantar de galo, e passou por Aveiro, Braga, Paredes de Coura, Santiago do Cacém e Viseu. Apresenta-se agora em Nova Iorque, no 59E59 Teathers, no âmbito do Festival Under the Radar, numa totalidade de 14 apresentações. Em 2025, continuará em digressão

? Redação / press release

? Lais Pereira

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