Há festivais que começam em explosão. O Bons Sons prefere começar devagar, deixando que a aldeia desperte ao ritmo da música. Foi nesse ambiente que Líquen deram o primeiro concerto da edição de 2026, inaugurando quatro dias de celebração em Cem Soldos com uma atuação que refletiu, desde o primeiro instante, a identidade singular do festival.
Enquanto os primeiros visitantes percorriam as ruas da aldeia e descobriam os diferentes palcos espalhados pelo recinto, a banda foi construindo uma atmosfera que convidava a parar, escutar e entrar no espírito do Bons Sons. Sem pressas e sem recorrer a excessos, Líquen deixaram que cada canção encontrasse naturalmente o seu espaço.
Em palco, a cumplicidade entre os músicos tornou-se evidente. Os arranjos revelavam um equilíbrio cuidado entre tradição e contemporaneidade, criando uma sonoridade orgânica que parecia encaixar na perfeição entre as casas, os largos e a paisagem de Cem Soldos. Era um concerto que respirava autenticidade, feito para ser vivido com atenção e não apenas ouvido de passagem.
Mais do que inaugurar um cartaz, Líquen deram o tom para aquilo que o Bons Sons continua a representar: um festival onde a música portuguesa é vivida sem pressas, onde cada concerto encontra o seu tempo e onde a ligação entre artistas e público acontece de forma genuína.
O Bons Sons 2026 acabava de abrir as portas, e Líquen mostraram que, por vezes, a melhor forma de começar uma viagem é fazê-lo com os pés bem assentes na terra e a música a apontar o caminho.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


