Em junho de 2024 no NOS Alive, AURORA deixou-nos a promessa que iria regressar a Portugal em 2025. Na noite de 9 de maio, esse regresso foi consumado com o termino da sua digressão “What Happened to the Heart? Part 5” a passar pelo Sagres Campo Pequeno em Lisboa.
Descalça e a girar sobre si, Aurora encanta desde o momento em que sobe ao palco. Rapidamente fica evidente que o vínculo que ela consegue construir com o público é especial e do domínio celeste.
Dirige-se várias vezes à audiência com muito amor e carinho e um sentido de humor atrevido e envergonhado que desenha uma imagem de outro mundo. Os seus movimentos fluidos lembram o fluxo da água a correr e os demónios em sua perseguição, suas expressões faciais e os olhos transformam-se e constroem uma imagem peter pan never ending story. O seu dinamismo em palco é um misto de dança irreverente e storytelling tornando cada concerto uma experiência diferente de qualquer outro.
Influenciada pelas suas raízes nórdicas, o som característico de AURORA – uma mistura de pop eletrónica com influências folk – é caracterizado por melodias assustadoras e sonoridades intrincados, trazendo uma solenidade antiga, mas também divertida que faz lembrar as lendas de elfs e criaturas misteriosas tão ricas em misticismos.
Um dos momentos mais fascinantes “Running” uma música poderosa que permite à cantora mergulhar profundamente nas experiências e sentimentos matizados e multifacetados que ela desenha nas suas letras e histórias. O tempo parecia ter parado, com o público fascinado pela sua presença no palco, pela sua dança e pelos seus movimentos contínuos. O seu vestido de tule constrói uma imagem mais glamorosa que nos surpreende. A fascinação do público por ela é evidente em todo o concerto, pelas emoções que lhe transmitem através de lágrimas, palmas e carinho, muito carinho.
O que diferencia extraordinariamente AURORA é sua capacidade de fazer a transição de uma intensidade crua para brincadeiras cativantes e agudas entre as músicas.
Estabelece uma relação próxima com o publico e cria uma sensação de intimidade que surge como mais uma prova da sua versatilidade como intérprete, oscilando entre a vulnerabilidade e a leviandade. Cada música surge como uma espécie de revelação pessoal, que então se torna uma experiência compartilhada e universal.
Para abertura do concerto em Lisboa, AURORA convidou Fredrik Svabø, o seu guitarrista, com o seu projecto a solo e que em palco se fez acompanhar por Thea Wang que deu voz as suas canções do álbum de estreia “Kingo’s Treat” lançado no passado mês de março.
A francesa Claire Pommet com o seu projecto Pomme foi outro dos nomes convidados para abrir o concerto de AURORA.
A sua ligação com a cantora Norueguesa surgiu em finais de 2021 quando gravaram o tema “Everything Matters”
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? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


