O terceiro dia do CA Vilar de Mouros 2026 entrou num território mais psicadélico, quando Kula Shaker subiram ao palco. A banda britânica trouxe consigo uma sonoridade construída entre o rock, a espiritualidade indiana e uma certa vontade de viajar para lá do óbvio.
Liderados por Crispian Mills, na voz e guitarra, os Kula Shaker apresentaram uma identidade que se tornou particularmente marcante durante a explosão do rock britânico dos anos 90. Ao lado de Alonza Bevan, Paul Winterhart e Jay Darlington, a formação original voltou a mostrar porque continua a ser tão reconhecível.
O que distingue os Kula Shaker começa precisamente na forma como olham para o rock. Em vez de seguirem apenas a tradição ocidental, a banda abriu desde cedo espaço para influências da música e espiritualidade indianas, incorporando elementos como o sitar, a tabla e referências ao sânscrito.
As guitarras começaram por construir a base, mas rapidamente outras texturas foram ocupando o espaço. O órgão Hammond acrescentou profundidade, enquanto as diferentes referências culturais se cruzavam com a tradição do rock psicadélico.
Havia algo de ritual na forma como as diferentes camadas se encontravam, criando uma viagem musical que não precisava de seguir uma linha reta. Os Kula Shaker deixaram que as canções respirassem, que os instrumentos ocupassem o seu espaço e que o público entrasse progressivamente naquele universo.
Crispian Mills manteve o centro da atuação, alternando entre guitarra e voz com uma presença que não precisava de excessos para dominar o palco.
A noite já tinha chegado a Vilar de Mouros, e o concerto encontrou precisamente nesse cenário o ambiente ideal. Depois de uma tarde marcada pelo indie rock britânico, os Kula Shaker abriram uma porta para outra dimensão sonora.
No terceiro dia do CA Vilar de Mouros 2026, Kula Shaker lembraram que algumas bandas não se limitam a tocar música.
Criam mundos.
E durante aquela noite, Vilar de Mouros entrou no deles.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


