O quarto dia do CA Vilar de Mouros 2026 chegou ao seu ponto mais alto, quando KALEO subiram ao palco como cabeças de cartaz e assumiram a responsabilidade de encerrar mais uma jornada do festival. A banda islandesa trouxe consigo uma sonoridade onde o blues, o rock e a intensidade das guitarras se encontram numa combinação feita para grandes palcos.
A voz de Jökull Júlíusson, conhecida pela sua força e pelo timbre carregado de emoção, assumiu desde cedo o centro do espetáculo. Entre momentos mais contidos e explosões de energia, o vocalista conduziu a banda por uma atuação que nunca perdeu a capacidade de surpreender.
Os KALEO têm uma identidade construída sobre contrastes.
Há momentos em que a guitarra parece respirar lentamente e outros em que todo o palco explode.
Em Vilar de Mouros, essa dinâmica tornou-se particularmente evidente. A banda foi aumentando progressivamente a intensidade, criando uma viagem que atravessou diferentes ambientes sem perder a coerência.
A guitarra bluesy, a bateria pesada e os arranjos amplos ajudaram a transformar o recinto numa enorme caixa de ressonância. O público respondeu com entusiasmo, acompanhando uma banda que sabe como transformar uma canção num momento de grande dimensão emocional.
Houve espaço para a voz, para a guitarra e para aquela proximidade rara que faz com que um grande palco pareça, por alguns minutos, muito mais pequeno.
Como último concerto da noite e cabeças de cartaz do quarto dia, os KALEO tinham uma responsabilidade acrescida: fechar uma jornada que já tinha passado por diferentes gerações e linguagens do rock.
Fizeram-no sem pressa e sem atalhos.
Deixaram que a música conduzisse a despedida.
Quando a última nota começou a desaparecer pelo recinto, ficou a sensação de que Vilar de Mouros tinha chegado ao fim de mais um capítulo sem nunca realmente baixar o ritmo.
O quarto dia terminou.
A madrugada chegou.
E os KALEO deixaram o festival envolto numa última descarga de blues, rock e emoção.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


