Com o cair da tarde, os GNR subiram ao palco do Rock in Rio Lisboa 2026 para um daqueles concertos que vivem tanto da música como da história que carregam. A banda portuense trouxe consigo décadas de repertório que ajudaram a moldar a pop rock portuguesa, transformando o Parque Tejo num espaço de reencontro e reconhecimento coletivo.
Desde os primeiros acordes, o público respondeu com familiaridade. Havia quem cantasse cada palavra com precisão quase automática e quem se deixasse simplesmente levar por melodias que fazem parte da memória de várias gerações. A ligação entre palco e plateia foi imediata, construída sobre canções que atravessam o tempo sem perder relevância.
Rui Reininho assumiu o centro do espetáculo com a sua presença única e inconfundível. Entre o teatral e o espontâneo, conduziu o concerto com uma naturalidade irrepetível, alternando entre momentos de ironia, proximidade e entrega vocal, sempre com aquele estilo próprio que faz dos GNR uma banda absolutamente singular no panorama nacional.
Ao longo da atuação, o ambiente foi-se tornando cada vez mais envolvente. Havia emoção, mas também leveza, num equilíbrio raro que apenas bandas com este percurso conseguem alcançar.
A sonoridade dos GNR manteve-se sólida e elegante. As guitarras, os teclados e a secção rítmica criaram um ambiente sofisticado, onde cada tema foi apresentado com cuidado e identidade, reforçando a intemporalidade de um repertório que continua a resistir a qualquer tendência.
Não era apenas um espetáculo ao vivo, mas uma viagem por diferentes fases da música portuguesa, onde cada canção parecia abrir uma porta para uma memória coletiva partilhada por milhares de pessoas.
Os GNR não vieram apenas tocar as suas canções, vieram lembrar que a pop rock portuguesa, nomeadamente a classe de 1979, também se constrói com elegância, identidade e uma forma muito própria de olhar o tempo — sem nunca deixar de o cantar.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo / Diana Silva


